Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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13 de agosto de 2011

Turismo beneficia Sarney e ninguém pode ser algemado?

É  coisa muito séria, mas não há como deixar passar em brancas nuvens matéria publicada hoje no site da 'Folha de São Paulo', na qual fica mais uma vez comprovada a onda de verdadeiros assaltos aos cofres públicos praticados por integrantes do Governo Federal que ocupam elevados cargos administrando vultosos orçamentos, com o agravante - é sempre bom que se repita - de estarem avançando sobre dinheiro proveniente dos cidadãos que pagam impostos. O abuso está vindo à tona a todo momento, não dando fôlego para a presidente Dilma governar o país, pois embora ela diga que não está sendo pautada pela imprensa, na verdade são os órgãos de comunicação que diariamente divulgam fatos como esse, fazendo com que a expectativa seja saber que atitude Dilma vai tomar diante de tantos assaltos ao dinheiro público. A matéria da 'Folha' é a seguinte:

Grampo mostra foragido ensinando a superfaturar

"É pro governo, tudo vezes três", diz empresário suspeito de fraude no Turismo

Escuta flagra Humberto Silva Gomes orientando interlocutor a inflar artificialmente o valor de contratos públicos

Conversas telefônicas interceptadas na Operação Voucher da Polícia Federal mostram investigados falando sobre como superfaturar e até falsificar documentos em licitações com o governo.

Nas conversas, os suspeitos de integrar o esquema chegam a afirmar que "quando o dinheiro é público não pesa no bolso" e apontam Brasília como um paraíso para obtenção de facilidades: "Mandou para Brasília, ficou fácil", diz uma investigada.

Na terça, a PF prendeu 36 suspeitos de desviar recursos do Ministério do Turismo em convênios com ONGs -entre servidores e empresários que faziam negócios com a pasta.

Em conversa gravada com autorização judicial, em 21 de junho de 2011, o empresário Humberto Silva Gomes diz que no Brasil "o governo paga e quer que você apenas gaste direitinho, ele não quer um retorno". Ele é sócio da Barbalho Reis, uma das empresas suspeitas de integrar o esquema, e está foragido.

"Quando é dinheiro público, não pesa no seu bolso. Aí você joga pro alto mesmo, até porque se você não jogar você vai perder logo de cara, porque todo mundo vai jogar. Criou essa ideia aqui: "Ah, é pro governo, joga o valor pra três, tudo vezes três'", diz Humberto: "Superfaturamento sempre existe".

Em outro diálogo, de 26 de maio, Sandro Saad, diretor financeiro da ONG Ibrasi, conversa com um empresário sobre um edital da Prefeitura de São Vicente (SP) que nem sequer tinha sido lançado.

No áudio, Sandro pergunta se eles vão "falsificar os outros [concorrentes] ou tentar compor o jogo" e diz que "o pessoal lá de dentro" quer que ele pegue a licitação.

Em outra escuta, os diretores do Ibrasi, Maria Helena Necchi e Luiz Gustavo Machado, falam sobre como vão adulterar papéis do convênio no Amapá para simular comprovação de despesas que não teriam sido realizadas.

Esta era uma exigência para que a ONG recebesse recursos de um segundo convênio com o governo federal.

"São aqueles pontos lá, e eles vão fazer uma carta, uma, não sei o termo como é que chamam, mas é um termo jurídico, não vou lembrar o nome agora", afirma Luiz Gustavo. Em seguida, Maria Helena apoia o colega.

E ele conclui que "se eles não concordarem [em liberar o segundo convênio] vão mandar pra Brasília, mandou pra Brasília ficou fácil".

SURPRESA

Ainda segundo as escutas, o secretário-executivo do Ministério, Frederico Costa, pergunta ao assessor Antonio dos Santos Júnior se é possível acelerar prazos.

Em resposta, Júnior afirma que pode "fazer de tudo pra atropelar algumas coisas". A Folha revelou ontem que os acusados de desvio de verbas no Turismo tinham livre acesso ao ministério. Eles chegaram a usar a sala do assessor do secretário-executivo da pasta, Frederico da Silva Costa, chamado-o de "bambambã" e "reverendo".

Já a 'Agência Estado' divulga uma gravação feita pela Polícia Federal durante a Operação Voucher revelando que um suposto projeto que seria de interesse do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), teria recebido R$ 3 milhões destinado a um projeto não teria saído do papel. Segundo relatório elaborado pela PF, em diversas interceptações telefônicas feitas com autorização judicial, é possível observar a preocupação dos investigados com o convênio, chamado de 'Amapá 2., De acordo com o texto do relatório, o convênio tem o valor de R$ 5 milhões e foi assinado para "fortalecer a cadeia produtiva de turismo no Amapá", e isso nunca ocorreu. O contrato foi firmado entre o Ministério e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável, entidade que é o centro das investigações da Polícia Federal. A 'Agência Estado' revela que o nome de Sarney apareceu numa escuta em que o secretário nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins, preso na última terça-feira que cita o nome do senador peemedebista;

E a influência de Sarney no Ministério dos Transportes fica evidenciada em mais um fato gritante, embora o senador maranhense do Amapá - é isso mesmo! - diga que não tem nada com aquela pasta. O Maranhão, governado pela filha de Sarney, Roseana, pode receber benefícios do Ministério do Turismo no valor de R$ 66,6 milhões, cabendo ao Rio de Janeiro um toral de apenas R$ 4,3 milhões, ou seja, uma dotação 1.450% maior do que a destinada ao Rio, um dois maiores pólos turísticos do mundo. Aliado dos Sarneys, o mi9nistro Pedro Novais está dando condições para que a governadora Roseana possa cumprir uma de suas promessas de campanha;

Depois não querem que ninguém seja algemado. Roubar pode.

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