Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

28 de fevereiro de 2011

Reforma política tem que criar o 'Distritão'

Aquilo que parecia não ser nunca possível parece agora ter possibilidade de realidade. Quando a adoção do "Distritão" (votação majoritária para deputados federais e estaduais e vereadores) foi ventilada, muitos disseram tratar-se de um tema praticamente impossível de ser sequer discutido no Congresso Nacional. No entanto, nada menos que o vice-presidente da república, Milton Temer, do PMDB, é um dos principais patrocinadores da adoção daquele sistema pelo qual a ordem de votação é que estabeleceria a formação das bancadas na Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmara municipais, acabando com o voto proporcional, pelo qual muita gente se elege com poucos votos, graças às legendas obtidas por seus partidos, em detrimento de outros bem votados mas cujos partidos não somaram legendas suficientes;

Há muita gente contrária à adoção do Distritão. alguns alegam que tal sistema favorece os grandes partidos, outros, que o "Distritão" altera o princípio constitucional da proporcionalidade. Que se altere, então a Constituição. Há ainda os que alegam o enfraquecimento dos partidos com a consequente valorização dos candidatos bens de voto. Em primeiro lugar, não pode haver partidos forte - existem, sim, os de grandes bancadas - quando uma Câmara composta de 513 deputados, estes se espalham em "apenas" 22 partidos. Quanto os puxadores de votos, esses continuarão sendo bem votados como são hoje, porque seus eleitores votam nele e não no partido em que está filiado;

Neste fim de semana uma reportagem mostrou que dos atuais integrantes da Câmara, 33 deles lá não estariam de a eleição do ano passado tivesse adotado o sistema majoritário. O PSDB teria ganho mais 12 vagas; o PMDB, mais 10; o DEM, mais 7, o PT, mias 3; e o PSOL, mais 1. No Rio de Janeiro, nada menos que 8 deputados, com votação entre 44 mil e 13 votos, seriam substituídos por outros com votação em 72 mil a 51 mil votos. Seria mais justo, pois os eleitores fluminenses não votaram em legendas mas sim em candidatos;

Outro argumento contrário ao "Distritão" é de que o sistema não impediria que um Tiririca se elegesse com 1 milhão e 300 votos, tornando-se uma figura superior ao seu partido, embora não arrastasse ninguém para a Câmara com seu excesso de votação. Ora, caberia aos partidos lançar nomes de peso político e de capacidade parlamentar e não palhaços populares para beneficiar candidatos de poucos votos, seja lá que for, para engordar suas bancadas no Parlamento. Cabe numa possível reforma política acabar com os chamados "nanicos", que não são partidos mas sim siglas de aluguel para acomodar candidatos em coligações (outra coisa a se acabar) ou para negociar tempo na TV no chamado horário gratuito;

Uma reforma política não deve deixar de lado também a possibilidade do voto mais democrático que existe, que é o facultativo, bem como para acabar com a aberração do suplente de senador sem voto. O sistema majoritário considerará como primeiros suplentes, tanto de deputados federais e estaduais, vereadores e senadores, aqueles ficarem imediatamente atrás daquele que tenha preenchido a última vaga em disputa. Que venham as reformas pensando não no corporativismo mas sim em sempre respeitar a vontade do eleitor.

24 de fevereiro de 2011

Nova CPMF? O povo tem que sair às ruas!

O povo já disse que não quer a volta da CPMF
A volta da CPMF, mesmo que com outro "apelido", agora como Contribuição Social para a Saúde (CSS), é um assunto que vem tomando conta do noticiário, embora um pouco ofuscado pela batalha do salário mínimo com a mobilização do Governo para que sua "base aliada" votasse mais R$ 5,00 a vigorar a partir de 1º de março - Lula já havia reajustado o salário mínimo de R$ 510,00 para R$ 540,00;

Logo após as eleições, alguns governadores, incluindo alguns da oposição, insinuaram que gostariam da volta da CPMF, mesmo que com uma alíquota menor, para tocarem seus programas de Saúde. O povo demonstrou ser contrário àquela contribuição "provisória" que já durava cerca de dez anos, pois a mesma não era destinada aos programas de Saúde do Governo. Na época da votação da extinção da CPMF, mais de 80% da opinião pública eram favoráveis ao fim do tributo;

Durante todo o tempo em que a CPMF foi recolhida, o que se viu, e ainda se vê, são falta de médicos, de equipamentos, de medicamentos, de leitos, filas nos postos médicos, adiamento de consultas e cirurgias de urgência, enfim, um caos total na saúde pública. Lula falou tanto em "herança maldita" deixada para ele por Fernando Henrique, mas agora certamente Dilma Rousseff não vai usar a mesma expressão para o que Lula deixou para ela. Em recente reunião da presidente com governadores do Nordeste, a famigerada CPMF voltou a ser reivindicada. Pela demonstração do verdadeiro rolo compressor da base governista tanto na Câmara como no Senado para aprovar os míseros R$ 5,00 de aumento do salário, dá para entender que não é provável que Dilma mande alguma mensagem criando a tal CSS, mas certamente haverá "incentivos" par que a mesma seja aprovada. Para isso bastam as liberações das emendas parlamentares ao orçamento ou as ameaças de passarem a pão e água os que forem contrários, como ocorreru agora;

A reação popular a uma nova CPMF pode ser resumida na carta de um leitor de 'O Globo', na seção de carta: "Preparar o bolso para uma nova CPMF? Jamais!!! Vamos preparar um levante popular, que é um excelente maio de acabar com a pouca vergonha dos governos. Veja o que acontece nos países árabes. Vamos começar!!! Espero que minha ideia tenha adeptos pelo Brasil a fora. Deixa só passar o carnaval..." Tudo indica que o leitor Ricardo Toledano dos Santos, do Rio de Janeiro, não está sozinho nessa empreitada. Nossos políticos estão precisando passar por uns momentos semelhantes por aqui também.

22 de fevereiro de 2011

Chega a hora do 'Distritão'

Voltou à cena a discussão sobre uma possível reforma política no Brasil. É esperada para hoje a instalação de comissão no Senado, composta de 15 integrantes para formular a proposta de reforma política. Na comissão aparecem dois senadores que já foram presidentes da República (Collor e Itamar), oito já foram governadores, outros já foram ministros, além de alguns que têm muito prestígio e história na vida política do País. Os trabalhos serão dirigidos pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ) e a comissão tem 45 dias paraa apresentar o projeto definitivo. Na Câmara dos Deputados há também uma comissão com o mesmo objetivo, composta de 40 membros;

A reforma política é um tema que vem sendo abordado desde a redemocratização do País, em especial logo após a promulgação da Constituição em 1988. Acontece que toda e qualquer modificação no sistema atual sempre esbarra nos interesses de muitos parlamentares e, assim, nada aprovaram até agora porque muita coisa atingiria diversos integrantes do Congresso Nacional e ninguém está disposto a "atirar no próprio pé". Diversos projetos já foram aprovados durante esses anos, mas tudo não passa de pequenos remendos, não influindo de modo consistente no sistema atualmente em vigor: Na maioria das vezes, o que se aprovou foi em benefícios dos próprios parlamentares;

Um assunto, porém, está começando a tomar corpo, que é o sistema de votação para deputado federal. O Vice-Presidente da República, Michel Temer, está liderando movimento a favor do chamado "Distritão", que transforma a eleição de deputados federais e estaduais e vereadores em majoritária. As vagas seriam preenchidas pela ordem de votação, acabando com o voto proporcional. Não mais se repetiria o que ocorreu há alguns anos, quando o Doutor Enéas, do Prona, foi eleito com 1 milhão e meio de votos, mas provocando a eleição de um candidato de seu partido que obteve a ridícula votação de 275 pessoas. Da mesma forma de agora, quando Tiririca levou alguns colega para Brasília beneficiados pelos mais de 1 milhão e 300 mil votos que votaram nele;


Uma outra corrente prefere a tal da lista fechada, quando o eleitor não votaria em ninguém mas sim na sigla de um partido que elaboraria e registraria uma lista fechada com nomes certamente da preferência da cúpula partidária. Tivesse o Brasil poucos partidos, certamente o eleitorado se identificaria com um deles, porém, como mais de 20 agremiações, isso nunca acontecerá. Dessa forma, o eleitor votaria sempre "no escuro".
Há, também, a ideia do financiamento público de campanhas, algo que de modo algum, em se tratando do Brasil, nunca inibiria a existência da famosa "Caixa 2", mesmo se proibindo o recebimento de contribuições de empresas quase sempre com algum interesse a ser resolvido junto ao Governo;

Vê-se, então, que o "Distritão" parece ser a melhor forma, pois os eleitos seriam os que fossem na realidade os mais bem otados. Resta-nos torcer para que algo seja feito. Difícil vai ser os parlamentares votarem em algo que não seja em benefício deles mesmos.

21 de fevereiro de 2011

O Egito pode ser aqui

As manifestações de rua feitas pelos egípcios, que culminaram com a queda de um ditador que dirigia o país com mão de ferro por mais de trinta anos serviu como um pavio que está provocando uma série de outras manifestações principalmente em países também comandados por ditadores,  longevos ou não. Muitos estão morrendo nestas saídas do povo às ruas para protestar, pois os donos do poder reagem de modo violento, deixando claro que não pretendem "largar o osso" nem tão cedo. As notícias que nos chegam mostram pessoas de todas as idades nas ruas,muitas vezes enfrentando as tropas de peito aberto;

Há quem pergunte se isso algum dia aconteceria no Brasil. Talvez. Dependeria dos motivos e principalmente da mobilização. Mas aqui até as ditaduras sempre foram "democráticas". A famosa revolução de 31 de março de 1964 praticamente ocorreu por telefone. Um general ligou para o presidente João Goulart e deu ordem para que ele fosse até Brasília - ele estava em outro estado - e pagasse suas coisas, saindo do País em seguida. As mortes que ocorreram foram em reação aos que queriam tirar os militares do poder. Dos militares até hoje, nossos presidentes foram sempre eleitos, seja por eleição indireta ou direta e só um dos eleitos diretamente não cumpriu seu mandato integral, história recente que todos se lembram;

Existe, no entanto, alguns fatos que estão a exigir uma reação popular, exatamente contra aqueles que constitucionalmente representam o povo, os parlamentares. Está hoje na mídia a notícia de que deputados estaduais do Rio de Janeiro tem uma especial de "vale-gasolina" com uma franquia de 1.150 litros de combustível por mês, sem nenhum controle da Assembleia Legislativa a respeito de qual veículo está sendo abastecido, se no carro oficial (mais uma mordomia) ou se foi um carro de alguém parente ou amigo, por exemplo, que recebeu o benefício que é pago com dinheiro proveniente de impostos. E tem um agravante que é o fato de que se algum deputado não gastar a cota toda, a mesma pode passar para o mês seguinte. Um outro agravante é que o "vale-gasolina" é igual tanto para o parlamentar que mora na capital do Estado, a poucos quilômetros da Alerj, como para o que resida e tenha base a algumas centenas de quilômetros do Rio;

Se levarmos em conta que os deputados federais e senadores ganham mais de R$ 26 mil, fora as incríveis e vergonhosas mordomias, tais como verbas indenizatórias, telefone, passagens aéreas, plano de saúde e outras, um deputado estadual do Rio de Janeiro podem ter subsídios acima de R$ 20 mil, ou seja, 75% do que ganham seus colegas federais. O povo precisa reagir para essa verdadeira pouca vergonha continue sendo praticada. Já está chegando a hora do brasileiro também reunir multidões numa praça, a dos Três Poderes, em Brasília, para exigir o fim desses gastos excessivos que não se justificam que sejam somados aos elevados vencimentos (salários) que eles recebem. Aproveitando a ocasião, pode o povo também exigir mais seriedade no Executivo e agilidade no Judiciário, pois todos estão na mesma praça. É algo para se pensar

18 de fevereiro de 2011

Podem comemorar: o salário mínimo é R$ 545,00

No caminho para Crateús, no interior do Ceará, o contraste da reluzente antena parabólica com o humilde casebre de pau-a-pique. (Foto de Orlando Brito)

Após muita discussão, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta do Governo estabelecendo o novo valor do salário mínimo em  R$ 545,00. Na verdade, houve um aumento de R$ 5,00, visto que Lula já havia estabelecido o salário mínimo de 2011 em R$ 540,00. A chamada "base aliada" de Dilma Rousseff passou um verdadeiro rolo compressor sobre as propostas da oposição, de R$ 560,00 e R$ 600,00, que foram derrotadas por larga margem de votos. Com as galerias cheias de sindicalistas, aconteceu um verdadeiro "Samba do Crioulo Doido", quando eles aplaudiram os oposicionistas e vaiaram deputados históricos do PT. Aprovada a proposta do Governo, os integrantes da "base aliada" comemoraram com a mesma intensidade de um gol do Brasil em final de Copa do Mundo;


Quando estavam na oposição, petistas que hoje governam ironizavam o mínimo proposto por FHC
Talvez o morador da casa de Crateús mostrada na foto lá acima, com o novo salário mínimo, possa adquirir uma TV de LCD, de 42 polegadas, para assistir programas com maior visão dos programas vindos através de sua moderna parabólica. Afinal, Lula elegeu Dilma dizendo que o brasileiro hoje é um cidadão que se afastou da faixa de pobreza. Com esse novo salário, certamente seu poder aquisitivo subiu muito mais. O trabalhador vai até se esquecer do aumento de mais de 60% que tiveram os deputados que tão gentilmente lhes deram mais R$ 5,00. Até as mordomias dos parlamentares não serão mais contestadas, pois estamos vivendo num país que uma cópia da Suíça;

As explicações técnicas sobre os impactos que um salário mínimo maior possa incidir sobre as contas públicas, especilamente do Governo Federal, podem até ser entendidas e aceitas, mas fica claro que quando se está na oposição, como o PT esteve por longo tempo, tudo o que o Governo faz não presta e há sempre algo melhor "quando nós formos Governo". Ironizaram o salário mínimo de FHC e hoje comemoram a mixaria concedida aos trabalhadores. A presidente assumiu sua conhecida postura de sargentona e mandou avisar aos aliados que votassem por um aumento maior que seriam tratados a pão e água, ou seja, nada de cargos nem verbas bilionárias para gerenciar. Infelizmente, este é o Brasil que o povo escolheu.

16 de fevereiro de 2011

Quando ocorrerá a reforma política?

Às vezes, falta assunto para se fazer uma postagem num blog. Já em outras ocasiões, o que não falta é assunto. O Rio de Janeiro está vivendo um momento contraditório, por exemplo, quando o carro-chefe da administração do governador Sérgio Cabral, a segurança pública, vem sendo um dos seus pontos mais positivos, configurado para todo o mundo com a tomada do Complexo do Alemão e com o êxito da instalação de Unidades de Polícia Pacificadora, as famosas UPPs, que estão sendo servindo de modelo para outros estados. O noticiário vem diariamente mostrando que muita gente da alta cúpula da Polícia está mudando de modo muito claro a imagem, principalmente da Polícia Civil, com dezenas de policiais sendo presos por estarem comprovadame3nte envolvidos principalmente com milícias e proteção as chefes do tráfico de drogas;

Os fatos levaram o Governo do Estado a promover profundas mudanças na cúpula da Secretaria de Segurança Pública. Ocorre, no entanto, que o comportamento da famosa "banda podre" da Polícia fluminense é um reflexo do sistema político que impera no Brasil, de modo muito especial no Estado do rio de Janeiro. A seguir, estou transcrevendo um artigo do ex-prefeito do Rio, César Maia, publicado na 'Folha de São Paulo', que, a nosso ver, retrata o que é o Brasil de hoje, graças aos políticos que sempre falam em mudanças no sistema, mas que sempre impedem qualquer alteração, pois estariam atirando no próprio pé, correndo riscos de perderem principalmente suas mordomias e os lucros financeiros que a maioria deles usufruem às custas do dinheiro do contribuinte;

Aí está o artigo de César Maia:

OS CORTESÃOS!
                          
           1. A disputa de cargos, em todos os níveis, e de benesses governamentais, entre os partidos que apoiam o governo federal, remete ao sistema de cortes das monarquias nos séculos 16 e 17. As cortes palacianas viviam no entorno dos reis, disputando cargos, concessões e favores.   Os homens fortes das cortes eram aqueles que, por proximidade com reis e rainhas, conseguiam para seus apaniguados decisões que lhes davam poder e riqueza.
                2. As cortes dos vice-reis na América hispânica aprofundaram o sistema. As "encomiendas", por exemplo, eram concessões de caráter feudal com cessão de terras e seus índios, para o uso econômico e deleite dos "encomenderos". Outro exemplo era o "corregimiento", uma região onde o "corregidor" tinha todos os poderes e onde esse poder até se comprava. Os vice-reis da Espanha no Peru e no México (Nova Espanha), nos séculos 16 e 17, com status de "alter ego" do rei, punham e dispunham sobre tais concessões. Em torno deles, construíram-se amplas cortes que se dividiam em funções administrativas e de proximidade com o vice-rei. Era tão bom, que fazer parte do séquito de um vice-rei nomeado na Espanha tinha preço.
                3. A orientação básica da coroa era prestigiar os chamados "beneméritos", ou seja, os que chegaram na frente para conquistar e colonizar.  Mas o que ocorria eram nomeações e concessões ao grupo íntimo do vice-rei ou aos indicados por ele. Os abusos chegaram a tal ponto que, em 1619, o rei Felipe 3º regulamentou a ocupação de cargos, proibindo empregar e fazer concessões a parentes até o quarto grau. Em 1660, Felipe 4º repetiu a mesma resolução, pois as cortes no Peru e na Nova Espanha não haviam dado a menor bola para a determinação. A solução no século 18 foi tirar poder dos vice-reis e transformá-los em burocratas do Estado espanhol.
                4. O que vemos por aqui é uma adaptação disso. Um partido tem direito de nomear em órgãos que passam a ser suas "encomiendas". O quoteo de ministérios, órgãos e empresas estatais são como "corregimientos". O líder de bancada de prestigio é aquele que, por proximidade com o poder ou por intimidação, abre amplos espaços para os seus protegidos. Mesmo que indiretamente, isso tudo tem um preço.
                5. Não tão abertamente como as vagas no séquito dos vice-reis, mas de forma mais intensa e rentável. Como nas cortes, vai se criando um hábito. E só se lembra do método quando os desvios são publicados. Os servidores profissionais independentes vão ficando de lado, como ocorreu aos "beneméritos". E -da mesma forma que os Felipes 3º e 4º- não será por falta de leis, decretos e resoluções. Enquanto isso o Estado vai ficando caro, improdutivo, ineficiente, e algumas vezes, corrupto.

8 de fevereiro de 2011

Filho de Lula não devolve passaporte diplomático

O filho mais velho do ex-presidente Lula, Marcos Cláudio, ainda não devolveu o passaporte diplomático que ganhou do Itamaraty no dia 29 de dezembro do ano passado, a dois dias do fim do mandato de seu pai. Ele havia prometido, há cerca de um mês, por meio do Twitter, fazer a devolução do passaporte. O Itamaraty informou que até ontem não foi devolvido nenhum passaporte concedido a familiares do ex-presidente. Marcos, de 39 anos, e seu irmão Luís Cláudio, de 25, receberam o passaporte em caráter excepcional. O Itamaraty deferiu pedido que foi feito pelo então presidente Lula, com a justificativa de ser "interesse do país". Outros três filhos e três netos de Lula também receberam o benefício;

O Decreto nº 5.978, de 4 de dezembro de 2006, publicado no Diário Oficial da União em 05/12/2006, regulamenta a emissão de passaportes diplomáticos e prevê o seguinte, em seu Art. 6º:

§ 1º A concessão de passaporte diplomático ao cônjuge, companheiro ou companheira e aos dependentes das pessoas indicadas neste artigo será regulada pelo Ministério das Relações Exteriores.
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§ 3º Mediante autorização do Ministro de Estado das Relações Exteriores, conceder-se-á passaporte diplomático às pessoas que, embora não relacionadas nos incisos deste artigo, devam portá-lo em função do interesse do País.

A norma baixada pelo Itamaraty com base no mesmo decreto cita os dependentes de autoridades, mas os filhos do ex-presidente Lula não se enquadravam nesta categoria por serem maiores de 24 anos. Netos não têm direito e os outros filhos também são maiores de 21 anos. Como foi a 'Folha de São Paulo' que divulgou a irregularidade, Marcos Cláudio fez a seguinte declaração no seu Twitter no perfil do caderno 'Poder', da 'Folha' no microblog: "A @Folha_Poder  é um lixo, os seguidores da doutrina de acabar com o Brasil são piores ainda. Só pessoas com baixa inteligência crêem no PIG" que é a sigla para 'Partido da Imprensa Golpista", termo usado por blogueiros seguidores de Lula e do PT para atacar a imprensa;

Alguém precisa lembrar ao distinto "diplomata" Marcos Cláudio que golpista também é aquele que se aproveita daquilo que não lhe é de direito. Tanto faz tomar o Poder de algum país como até se apoderar de um passaporte diplomático ao qual não se tem direito. E esse é o caso do filho de Lula, a não ser que alguém também justifique quais são os “interesses do país” para que ele e os demais continuem de posse dos passaportes diplomáticos.

7 de fevereiro de 2011

Parece que Dilma quer ser ela mesma

Circula pelo Palácio do Planalto a informação de que a presidente Dilma Rousseff irá aos poucos se afastar do discurso de continuismo de Lula, o que foi exaustivamente propagado durante a campanha. Era a forma mais adequada para que o povo elegesse alguém que nunca antes havia concorrido a qualquer cargo. Tudo deu certo, e mesmo com a preocupação do segundo turno a candidata que muita gente chegou a chamar de "a mulher de Lula" tornou-se na sucessora do Presidente mais popular da história do País. A maioria dos 55 milhões de eleitores votou nela por causa da mensagem de que seria a continuadora de Lula;

O que se tem visto neste pouco mais de um mês de administração é que Dilma está impondo um estilo muito pessoal de governar, desmentido aqueles que viam nela uma espécie de "boneco de ventríloquo" de Lula, algo que positivamente não está ocorrendo. As diferenças entre Dilma e Lula já foram muito bem demonstradas no artigo de Nelson Motta transcrito aqui na postagem anterior. Não há informação concreta sobre como Lula estaria reagindo ao estilo pessoal de Dilma. Entre os petistas há alguma apreensão quanto ao que possa ocorrer no próximo dia 10, quarta-feira, nas comemorações dos 31 anos do PT, onde Lula deverá ser a estrela maior. Dando como justificativa a sua agenda, consta que Dilma não estará no evento. O que certamente dará o tom será o discurso que o ex-presidente certamente fará na oasião;

Entre as várias diferenças observadas estão a divisão dos 37 ministérios (os mesmo do tempo de lula) em quatro grupos, acabando com aquelas longas reuniões que muitas vezes nada decidiam. Também chamou a atenção o modo como Dilma resolveu acabar com a influência do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tinha Furnas como um feudo seu, embora ela tenha transferido o domínio da estatal para José Sarney (PMDB-AP), famoso pelo seu fisiologismo. Avessa aos holofotes, Dilna tem se mostrado também de modo bastante diferente de Lula, quase não aparecendo na mídia. Também agiu rápido no caso das enchentes da Região Serrana do RJ e não exoneração daqueles que andaram cometendo falhas ou fazendo declarações com as quais não concordou, da mesma forma que deu tratamento diferente aos caso de direitos humanos praticados de modo não muito democrático por governantes aos quais Lula estava sempre dando apoio;

É aguardar para ver até onde irão tais diferenças. Se Dilma continuar se impondo como sendo ela mesma, certamente que as eleições de 2014 serão bastante interessantes. Já no ano que vem tudo isso será submetido a teste nas eleições municipais. Resta torcermos para que Dilma governe a favor não dela mas sim dos brasileiros. Torcer contra ela é dar um tiro no próprio pé.

4 de fevereiro de 2011

Dilma vai ser sempre ela mesma?

Quem escreve artigos, comentários, crônicas e outros gêneros tem momentos melhores e piores. Depende da inspiração no momento em que escreve. Isso é natural. Mas há momentos em que parece que alguém escreveu por você. às vezes são publicados textos em que outra pessoa escreve algo que você poderia também ter escrito. Pode acontecer até alguma ilustração, pois você gostaria de ter escrito algo que outra pessoa escreveu. Esse, por exemplo, é o caso de um artigo do jornalista Nelson Motta publicado hoje. A transcrição a seguir vale como se o titular deste blog o tivesse escrito, pois expressa o mesmo pensamento deste escriba:

Enfim, sós

Nelson Motta

Como é bom ter uma presidente que não vive esbravejado nos palanques e dividindo o país entre ricos e pobres, entre as elites e o povo, e culpando os adversários políticos por todos os males do Brasil.

Que delícia não ter que ouvir todo dia a presidente dizer que o Brasil começou no dia em ela tomou o poder e que os que a antecederam só lhe deixaram uma herança maldita.

Que alívio ter uma presidente que não se diz uma metamorfismo ambulante e nem tem opinião formada sobre tudo, até agora o que totalmente ignora.

Como é edificante ter uma presidente que não se orgulhe de sua grossura e ignorância e ne, deboche dos que estudaram mais.

Que sensacional é ter uma presidente que lê jornais. E livros!

Como é civilizado ter uma presidente que defende os direitos humanos, tanto em Guatánamo como em Cuba e no Irã. E que declara que o Brasil não deve dar opinião sobre tudo o que acontece em outros países.

Como é gostoso não ouvir e presidente acusar todos que não a apóiam de ter preconceito contra pobre, nordestino e operário. Ou contra mulheres de origem búlgara de classe média.

Como é moderno ter uma presidente que não chama todo mundo de companheiro, como na antiga Cuba.

Que prazer é não ter que ouvir uma presidente dizer que nosso sistema de saúde está próximo da perfeição.

Como é confortador ter uma presidente que não diz que o mensalão é uma farsa da imprensa golpista. E que não faz nomeações partidárias para o Supremo Tribunal Federal.

Como é animador ter uma presidente que não proclama que o Brasil está milionário e estabelece como lema de governo "fazer mais com menos". Que vai tirar Furnas e a Funasa dos quadrilheiros do PMDB e contratar um alto executivo para a Secretaria de Aeroportos.

Que deleite é não todos dia as páginas dos jornais e as telas de televisão ocupadas pela presidente e suas ações, opiniões e omissões.

Como é bom para a democracia ter uma presidente que não joga para a imprensa e obriga os jornalistas a correr atrás de notícias.

Que maravilha será ter uma presidente que assuma as suas responsabilidades e faça o que tem que ser feito.

Parabéns a Nelson Motta  pelo texto. Ele diz muitas verdades e, por isso, gostaria de tê-lo escrito. Resta-nos saber ser Dilma Rousseff vai continuar sendo ela mesma, como ocorre até agora, ou se dará razão àqueles que a consideravam um "poste" para ser eleita pela influência de Lula e que depois se tornaria num boneco de ventríloquo do mesmo Lula. Espera-se que que todos estejam errados.

1 de fevereiro de 2011

Suplente gasta 16 mil em um mês de mandato divulgando sua 'atividade parlamentar'. Qual?

Isso é uma coisa revoltante! Um total de 41 deputados tomaram posse entre 29 de dezembro e 10 de janeiro, porque os receptivos titulares foram nomeados ministros ou secretário estaduais. Mesmo estando em recesso parlamentar, além dos subsídios eles se utilizaram das verbas indenizatórias apenas para exercerem no máximo um mês de mandato. O total das despesas que os suplentes geraram foi deR$ 298 mil. Os dados constavam no site da Câmara dos Deputados nesta segunda-feira, quando se extinguiu o "mandato tampão" dos ilustres parlamentares;

Como se veteranos fossem, mesmo como pouco tempo e a ausência de funcionamento do Legislativo, os 41 deputados fizeram gastos elevados, justificando-os como tendo sido feitos com "consultoria, pesquisas e trabalhos técnicos", além de divulgação de trabalho parlamentar – isso é incrível! – e locação de veículos. Dos 41 apenas quatro não registraram gastos em de janeiro. No entanto, a Câmara explicou que eles ainda podem apresentar as notas para receber o reembolso;

Dos R$ 298 mil gastos com os suplentes, R$ 204 mil foram de 28 deles que assumiram a vaga de deputado federal pela primeira vez. Outros R$ 93,9 mil foram gastos de 13 suplentes que já haviam assumido em outras ocasiões. O suplente campeão de gastos foi Junior Marzola (DEM-TO), com R$ 26.533,29. Ele já havia assumido a vaga de deputado uma outra vez, de 23 de junho a 20 de outubro de 2010, substituindo, nos doiscasos, o deputado João Oliveira. Do total de R$ 26,5 mil, R$ 7 mil foram em consultoria, R$ 4,5 mil em combustível, além de R$ 11,5 mil de locação de veículos;

Entre os que assumiram pela primeira vez, o suplente João Batista (PMDB-RO) foi o que mais gastou: R$ 22.478,96, que teve a “cara de pau” de alegar ter tido gastos de R$ 16 mil em "divulgação de atividade parlamentar". Como assim? Que atividades o distinto conseguiu ter em apenas um mês de mandato e empleno recesso? Aqui do Rio de Janeiro, o suplente Renato Cozzolino (PDT-RJ)conseguiu gastar R$ 21.776,77, sendo R$ 20 mil em consultoria, com nota de uma empresa de contabilidade. O pior é que a assessoria da Câmara informou que os suplentes ainda podem apresentar novas despesas. Mas alertou que eles só recebem quando comprovam os gastos. Parece que isso é coisa difícil para eles;

O eleitor brasileiro precisa dar mais valor ao seu voto. Não dá mais para se aturar tanta desfaçatez por parte dos políticos brasileiros. Se já bastasse a pouca vergonha das pensões vitalícias de ex-governadores, ainda temos que aturar esse tipo de sangria dos cofres públicos.Sem nenhum exagero, é necessário que o povo se espelhe dos exemplos de outros países, como vem acontecendo no Egito, por exemplo. A revolta de milhões não é apenas contra uma ditadura de 30 anos, é também contra a corrupção praticada pelos políticos locais. Temos que deixar de lado a rivalidade desportiva com os argentinos e copiar dos nossos “hermanos” a consciência política. Na Argentina, por muitos menos os homens saem às ruas com aqueles enormes bombos que levam para as arquibancadas, acompanhados de milhares de mulheres batendo panelas para protestar em praça pública;

Já faz muito tempo que é hora do povo sair às ruas para protestar contra esses tipos de assaltos aos cofres públicos,o que, no caso dos parlamentares, não é de hoje. Será que já se esqueceram do uso indevido de verbas indenizatórias, da farra com passagens aéreas, do excesso de “diretorias” no Senado, das horas extras pagas em pleno recesso parlamentar. Ainda estamos esperando mais alguma coisa?

A notícia completa está no site de 'O Globo'