Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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12 de agosto de 2011

A tal 'base aliada' é a favor de quem mesmo?

"Base aliada' faz de Dilma uma refém
A expressão 'base aliada' parece que não está sendo usada corretamente em relação à bancada tanto no Senado como na Câmara que integra o bloco de apoio ao governo de Dilma Rousseff. Nos dois mandatos de Lula, somente no Senado é que a maioria governista era de número pouca coisa maior que a oposição. Na Câmara, um verdadeiro 'rolo compressor' passava por cima dos oposicionistas quando se votava algo de interesse do Governo. As maiorias nas duas casas legislativas são compostas por uma ampla maioria de parlamentares apoiando o governo de Dilma Rousseff. Em razão disso, os partidos que integram a tal 'base aliada' foram aquinhoados com fatias do Governo, recebendo ministérios e órgãos com orçamentos bilionários para comandar. O que se vê hoje no noticiário é que estaria havendo uma rebelião disfarçada, com ameaças de boicote a votação de proposições de interesse do Palácio do Planalto, numa espécie de chantagem;

Chama a atenção o fato de que as ameaças da 'base aliada' são justificadas no fato de que a presidente Dilma prometeu tomar atitude em relação às denúncias de malversação de dinheiro público que estão sendo denunciadas quase que diariamente pela imprensa. E - o que é pior - as ameaças de boicote são também explicadas como uma espécie de rebelião pela não liberação das famigeradas emendas parlamentares ao Orçamento da União, com verbas destinadas ao financiamento de obras em regiões de interesse dos seus autores, com o agravamento no fato de que muitas vezes tais recursos são aplicados em obras superfaturadas e com histórico de casos de propina retornando para as contas bancárias de parlamentares inescrupulosos. E ainda tem o caso dos cargos pleiteados pelos partidos como parte do 'preço' pelo apoio dado ao Governo no Congresso Nacional;

Ocorre que a opinião pública está começando a reagir, principalmente através de cartas aos jornais e principalmente por meio das redes sociais da Internet, esperando que a roubalheira seja estancada. Há quem sugira que a presidente Dilma faça realmente uma 'faxina' em todos os órgãos em que se confirmem as denúncias tanto da imprensa como do Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União e pela Polícia Federal e que, confirmando-se a rebelião da 'base aliada', ela fale ao povo em cadeia nacional de rádio e TV, que certamente a apoiará, uma vez que os deputados e senadores 'rebeldes' estão na verdade 'se lixando' para o povo que os elegeu e que os paga regiamente por meio dos impostos, por sinal um dos mais elevados do mundo;

Felizmente já se vê no horizonte algum tipo de reação da sociedade, que não está mais tolerando essa verdadeira avalanche de denúncias que surgem a todo momento. Ministros e parlamentares são servidores públicos e ao povo têm que servir. Não é aceitável que invertam as coisas e continuem se servidos do povo para enriquecer ilegalmente e de modo fraudulento. Está na hora de se dar um basta nisso tudo, e tudo depende de uma atitude enérgica da presidente Dilma, sem qualquer tipo de blindagem, doa a quem doer, seja de que partido for o ladrão de dinheiro público.

Um comentário:

  1. Numa de minhas últimas postagens no Dando Pitacos (O sonho candango e a realidade política brasileira) tracei (ou pelo menos tentei traçar) um paralelo entre a frase escrita nos porões da Câmara dos Deputados por um dos operários que ajudou a construir Brasília, e a expressão que teria sido utilizada por um dos políticos da "base de apoio" de Dilma Rousseff:

    "Se o nosso querido José Silva Guerra estivesse vivo, o que acho pouco provável, ele certamente estaria decepcionado. Primeiro pelo sonho de justiça que não viu realizar; depois, por verificar que ajudou a construir, não a Casa das leis, como ele pensava, mas a arapuca onde são alinhavadas as costuras políticas que beneficiam parlamentares e partidos, em detrimento do cidadão e da própria Nação brasileira".

    Eu sempre disse que estava faltando cadeia no Brasil. Nunca fui tão preciso!

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