Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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20 de novembro de 2015

O Governo aceita indicações, mas não exige seriedade nos cargos

  • Causou estranheza o pedido de exoneração do diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), poucos dias após o rompimento da barragem de Mariana. O DNPM é um importante órgão do Ministério de Minas e Energia, que tem atribuições de fiscalizar a pesquisa e a lavra para o aproveitamento mineral, bem como as estruturas decorrentes destas atividades. A autarquia tem também a atribuição de fiscalizar a implementação dos Planos de Segurança das barragens de mineração a serem elaborados pelos empreendedores;
  • Quando da compra de apoio à base parlamentar do Governo, o ministério ficou na cota do PMDB. O diretor alegou motivos de saúde para sair do cargo. Pode até ser verdade, porque ele teria muita dor de cabeça para explicar como tudo aconteceu sem que o órgão que dirigia nada tivesse feito para pelo menos minimizar os efeitos da tragédia ambiental que aconteceu. Certamente ele deixaria muito mal algum senador, deputado ou personalidade peemedebista que o tenha indicado para um cargo daquela envergadura;
  • Despreparado para o cargo ele não era. Celso Garcia é graduado em direito pela Faculdade Milton Campos de Belo Horizonte. Especializou-se em Ciências Políticas e Estratégias Nacionais pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), em 1988.  Em 1975, ingressou no serviço público por meio da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Em 1983, passou a fazer parte do quadro de servidores do DNPM, onde exerceu ao longo de sua carreira várias atividades profissionais. De 1996 a 1999, foi chefe do Distrito do DNPM no Estado de Minas Gerais. Com sua aposentadoria em 2009, exerceu a advocacia até 2011;
  • De 2011 até a sua nomeação como diretor-geral da autarquia em junho deste ano, exerceu o cargo de superintendente da instituição no Estado de Minas Gerais. Ao que parece, certamente ele recebia pressões para fazer vista grossa nas irregularidades das empresas, generosas doadoras para as campanhas eleitorais de peemedebistas. Se houvesse mais rigor por parte do Governo exigindo seriedade na direção de órgãos com a importância do DNPM, muitas mortes teriam sido evitadas. Por causa da falta de fiscalização, o próprio DNPM anunciou que dentro em breve novos rompimentos de barragens irão acontecer.

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