Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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17 de junho de 2010

Um agrado eleitoreiro para os aposentados

Um assunto que está dominando hoje a mídia e nos comentários é o reajuste de 7,72% dos proventos dos aposentados que recebem valores superiores ao salário-mínimo (R$ 510,00) concedido por Lua ao sancionar lei aprovada pelo Congresso Nacional. Como se sabe, o Governo baixou Medida Provisória concedendo aumento de 6,14%, que foi emendada com o percentual maior, emenda essa que foi votada tanto pela oposição como por grande número de integrantes da base aliada do Governo. Imediatamente, a equipe econômica de Lula afirmou que o percentual de 7,72% não poderia ser pago, a não ser se os parlamentares apontassem os recursos para cobrir a despesa;

De uma hora para a outra Lula aprovou o aumento, mesmo sem que os recursos para cobrir a despesa tenham sido apontados e sem nenhum parecer da equipe econômica (Guido Mantega, ministro da Fazenda, e Paulo Bernardo, ministro do Planejamento) desse algum parecer favorável, apontando solução para os novos valores. A decisão foi totalmente política. Afinal, daqui a alguns dias haverá eleição e Lula faz qualquer coisa para angariar simpatias em favor de sua candidata. Certamente muita cornetas e trombetas soarão informando aos aposentados e seus parentes, cerca de 20% do eleitorado, em busca de votos para a candidata oficial;

Tem muita gente comemorando, mas falta esclarecer que todos já estão recebendo seus proventos com o reajuste original da Medida Provisória, que é de 6,14%. Sendo assim, os aposentados vão ter um reajuste real de 1,58%. Tem muita gente raciocinando em receber uma boa grana na diferença que retroage a janeiro deste ano. Outra coisa é que os servidores da Câmara dos Deputados vão ter aumento variando de 15% a 38%, além de aumentos em outras gratificações. Os funcionários da Justiça reivindicam aumento de até 56%. Se para esse aumentos há dinheiro, certamente havia também para os aposentados. Aconteceu - parece - um grande jogo de cena. Nega-se para depois conceder;

Seja o que tenha realmente acontecido, mesmo com os 7,72% os aposentados continuam sendo os grandes injustiçados ao longo dos últimos anos, quando após contribuírem para a Previdência sobre determinados números de salários-mínimos vêem a cada ano seus proventos crescendo como rabo de cavalos, isto é, seus proventos são sempre diminuídos a cada aumento dos proventos equivalentes ao salário-minimo. Mas 2010 é ano de eleição e os argumentos de impossibilidade de reajuste para os que ganham mais estão momentaneamente suspensos. Daqui a quatro anos certamente haverá um novo pacote de bondades.

2 comentários:

  1. Parabens pelo post amigo Airton, lucido.
    Parabens pelo novo visual do blog
    Um abraco

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  2. Airton, como acredito que podemos tirar coisas boas das piores coisas, hoje dediquei uma página aos anônimos, com todo carinho.


    Aliás, como está no artigo acima, Luís Inácio é mestre em fazer isso, com a gravidade de distorcer os fatos.

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