Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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26 de setembro de 2013

Deputado federal vale mais de 2 segundos se migrar para novo partido

O Brasil tem hoje oficialmente 32 partidos políticos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou nesta semana a criação do Solidariedade e do Partido Republicano da Ordem Social (PROS). Há ainda a expectativa da criação do Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, que ainda tem alguma chance de ser aprovada pelo TSE ainda a tempo de ela participar das eleições do ano que vem, que seria o 33} da longa lista de legendas partidárias. Pelo que viu, não há muita dificuldade para se criar um partido político no Brasil, pois existem pelo menos mais dez processos tramitando naquele tribunal para poder entrar nesse verdadeiro 'mercado' de venda de vagas para candidatos ou de segundos para a propaganda na rádio e na TV;

Estranhamente os dois novos partidos não tiveram dificuldades em alcançar as 492 mil assinaturas de eleitores apoiando a criação da nova sigla, ao contrário do Rede Sustentabilidade, que angariou cerca de 600 mil assinaturas, mas que teve apenas 430 mil, mas não recebeu o aval de cartórios eleitorais, sobre os quais há acusação de manobras de prefeitos e vereadores dos locais desses cartórios, evitando futuros concorrentes. A explicação estaria no fato de que a grande maioria dos cartórios eleitorais é composta de funcionários municipais cedidos à Justiça Eleitoral, sem o que as zonas eleitorais não teriam condições de funcionar corretamente. Isso são especulações, mas que, em se tratando de Brasil, podem ter algum fundo de verdade;

Chama a atenção o fato de que os dois novos partidos, que sequer fizeram um único teste nas urnas, já começam a ter nos seus cofres nada menos que R$ 600 mil do Fundo Partidário, importância a que teve direito cada partido nas eleições do ano passado. Até 4 de outubro assistiremos a uma verdadeira revoada principalmente de deputados federais para as novas siglas sem correrem risco de perda de mandato por infidelidade partidária, pois a legislação eleitoral-partidária abre uma janela sem riscos para os parlamentares 'voadores'. Existem boatos dando conta de que estaria havendo os mais variados tipos de leilão para a concretização dessa revoada. Partidos estariam 'premiando' deputados para ingressarem em suas legendas, e também deputados 'vendendo' seu ingresso no novo partido. Todos desmentem, é claro. Todavia, 2 segundos e 34 centésimos valem muito na montagem dos tempos de rádio e TV na campanha de 2014. Lembramos sempre do célebre abraço de Lula e Maluf em troca de pouco mais de 1 minuto e meio no horário de propaganda de Fernando Haddad, então candidato do PT à Prefeitura de São Paulo;

Vê-se, então, que programa partidário e projetos para o País é o que menos importa nessa hora. Ironicamente, é exatamente o Rede Sustentabilidade que tem um programa, que recebeu apoiamento de mais de 600 mil eleitores que talvez não consiga participar da eleição do ano que vem, impedindo que Marina Silva se candidate à Presidência da República, logo ela que em 2010 provou que a propaganda principalmente pela TV é importante, mas que lhe rendeu 22 milhões votos com apenas pouco mais de um minuto de propaganda no horário obrigatório. E o pior de tudo é que com esse dinheiro público existam partidos que servem apenas para melhorar as contas pessoais de alguns dirigentes e de seus familiares. Essa seria a hora de se criar uma rigorosa lei com cláusula de barreira que praticamente banisse do cenário políticos as legendas que não alcançasse um minimo de votos nas eleições. Mas isso é praticamente uma utopia.

Um comentário:

  1. Isso mostra que os partidos perderam suas ideologias. Já que a mudança partidária é usada como escambo no mercado partidário, já os princípios... bem estes ficam em último plano, mas são sempre lembrados nos discursos inflamados dos demagogos.

    Grande abraço
    André R.
    http://transparenciapolitica.blogspot.com.br/

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