Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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12 de outubro de 2011

Ninguém quer parlamentar miserável. Vamos mandá-los pra casa?

Sarney defende mordomias
Em recente entrevista ao jornal 'Zero Hora', de Porto Alegre (RS), o senador José Sarney (PMDB-AP) teve a coragem de afirmar que as mordomias pagas aos parlamentares seria "para que eles fossem livres e seus salários não os fizessem miseráveis". Não satisfeito com mais esse deboche vindo do presidente de um dos Poderes, o Senado Federal, o 'imortal' e 'homem não comum' (segundo Lula) soltou mais uma pérola ao falar sobre as críticas que recebeu quando se utilizou de um helicóptero da Polícia Militar do Maranhão num passeio à Ilha de Curupu naquele estado, onde tem casa, e voando pela segunda vez por conta do estado governado por sua filha Roseana. Sarney afirmou: "Quando a legislação diz que o presidente do Congresso tem direito a transporte de representação, estamos homenageando a democracia, cumprindo a liturgia das instituições. Por conta das prerrogativas do cargo, tenho direito a transporte de representação";

Isso é um absurdo! Os parlamentares ganham subsídios de valor elevado, que dariam muito bem para custear várias das mordomias que hoje são pagas pelos cofres públicos. A Câmara e o Senado só se responsabilizariam por despesas relativas a movimentações de caráter oficial, quando o parlamentar estivesse representando uma das duas Casas. Verba indenizatória, passagens de avião, telefones fixos e celulares e outras não se justificam. Muita gente reagiu a tais afirmações, pois não têm nenhuma justificativa. Por tal razão, muitos escreveram para as seções de cartas dos jornais. A seguir, algumas das que foram publicadas hoje num jornal do Rio de Janeiro, que demonstram claramente a revolta de cada uma:

"O presidente do Senado, José Sarney, diz que os privilégios políticos foram criados para que os deputados fossem livres e seus salários não os fizessem miseráveis. Li e reli a entrevista, estupefato. Esqueceu-se ele de dizer que as mordomias são arbitradas por eles mesmos, à nossa revelia. Em momento algum fomos consultados se queríamos ungi-los a seres celestiais. A verdade é medonha, a simples vivência no Olimpo faz com que desenvolvam uma cultura própria, um distanciamento enorme da nossa realidade, estranha a nós outros, os miseráveis que os sustentam. Ainda diz que ele está homenageando a democracia quando usa um helicóptero do Estado para visitar sua casa na Ilha de Curupu. Gostaria muito de homenageado pela democracia do Olimpo. Ainda tem gente que acredita neste país" - Aloysio Martins Guerra (Rio);

"Será que Sarney não se dá conta de que ele e os demais políticos são servidores públicos, que foram eleitos para servir ao povo, e não para serem servidos por ele? Que são regiamente pagos não para desfrutar de mordomias e locupletar-se dos cargos que ocupam em benefício próprio? Ao contrário de suas preocupações de tornarem-se miseráveis, o tiro saiu pela culatra. Com raras exceções, nossa casta política só criou miseráveis: de sentimentos humanos, de dignidade, de civilidade, entre outras miserabilidades. Declarações como essas seriam cômicas, se não fossem trágicas!" - Ricardo Kimad (Rio);

"Segundo Sarney, os privilégios foram criados para que 'os deputados fossem livres e seus salários não os fizesse miseráveis', ou seja, para que não vivessem como professores e médicos do serviço público ou como a maioria da população brasileira, que sobrevive com um salário mínimo" - Regina Passarelli (Rio);

"As afirmações despudoradas e contraditórias a respeito do uso do helicóptero do governo do Maranhão pelo mau brasileiro José Sarney ferem a dignidade até do mais torpe dos indivíduos" - Luiz Nusbaum (São Paulo, SP);

"Como imortal (?) da ABL, o litúrgico parlamentar José Sarney deveria saber que o privilégio não é sinônimo de abuso, nem liberdade significa impunidade" - Hugo Hamann (RIO);

As cartas são de cinco cidadãos brasileiros inconformados com as declarações de Sarney. Acontece que afirmações desse teor são vistas e ouvidas quase que diariamente. Os políticos brasileiros continuam pouco 'se lixando' para o povo, apostando, além da impunidade, na falta de memória dos eleitores, que sempre estão renovando os mandatos de políticos do tipo do senador do Amapá/Maranhão. Resta aos cidadãos de bem lutar para reavivar a memória dos eleitores para que usem a melhor de todas das armas: o voto. Com ele, Sarney e Cia. poderão muito bem ser mandados definitivamente para suas casas. Mesmo assim, muitas das mordomias os acompanharão até à morte, pois são vitalícias.

Um comentário:

  1. Jurema Cappelletti14 de outubro de 2011 07:07

    Airton! Li essa reportagem no jornal, depois procurei tudo e não encontrei mais! Agora, está aqui!!!
    É um excelente material para "guardar dentro da manga", embora muitos achem que nossa manga está furada.

    Um abração, Ju

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