Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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9 de outubro de 2011

Cinco mitos sobre as mídias sociais

Na próxima quarta-feira, dia 12, feriado nacional, estão sendo esperadas várias manifestações públicas em todo território nacional de repúdio à corrupção praticada por políticos, que recentemente têm sido descobertas e amplamente divulgadas pela imprensa. Os chamados 'malfeitos' demonstram que há vários anos ministros, senadores, deputados e autoridades desviam dinheiro público, principalmente para o próprio bolso. As manifestações de 12 de outubro estão sendo convocadas e organizadas através das redes sociais da Internet - em especial pelo Twitter, Facebook e Orkut -, cujo êxito já foi configurado no Dia da Independência, quando cerca de 35 mil pessoas foram às ruas em Brasília para protestar contra a corrupção, quase igualando os 40 mil que estavam ali por perto assistindo o desfile do Dia da Independência, que tinha a presença da presidente Dilma Roussef e de vários ministros;

O que mais chamou a atenção foi o fato de que não houve participação de nenhum partido político, movimento social ou ONGs, tudo acontecendo por conta da iniciativa de pessoas totalmente afastadas do meio político. Era pessoas do povo, jovens em sua maioria, muitos da classe média, todos querendo ver um basta nas falcatruas e maracutaias que se estabeleceu nos órgãos públicos, em todas as esferas do governo. O Washington Post, jornal dos Estados Unidos, publicou artigo do professor de Estudos da Informação e Design Ramesh Srinivasan, da Universidade da California em Los Angeles (Leia aqui), em que ele cita cinco mitos sobre as mídias sociais. São eles:

As mídias sociais dão poder às pessoas

Hoje, há mais de cinco bilhões de pessoas conectadas via telefones celulares, dois bilhões de internautas, 750 milhões de usuários do Facebook. É fácil interpretar estes números como indicadores de aumento de poder político e econômico. Mas o professor defende que, ainda que a tecnologia ajude bastante, não é suficiente para provocar mudanças na sociedade.

“Certamente há exemplos de como as novas tecnologias ajudam os menos favorecidos”, diz. Ele cita fazendeiros do Quênia e pescadores indianos que usam aplicativos de celular para driblar intermediários corruptos e conseguir preços em tempo real para seus produtos. Lembra de blogueiros que denunciam violações dos direitos humanos, da comunicação via redes sociais dos ativistas durante a onda de protestos nos países árabes, e da organização do movimento “Ocupem Wall Street”, contra o sistema financeiro americano, que teve início nas últimas semanas em Manhattan.

Mas para tirar melhor proveito da tecnologia, diz Srinivasan, as pessoas dependem de infraestrutura física e capital humano – incluindo aí eletricidade e educação.


Os governos facilmente monitoram e censuram as mídias sociais


O professor lembra que a internet é um meio muito mais difícil de ser monitorado do que veículos de mídia como televisão, jornais e rádio, que dependem, em grande maioria, de um sistema estabelecido de capital para funcionar. Com estes veículos tradicionais, governos podem mais facilmente detectar locais de transmissão ou impressão. Não é tão simples, por outro lado, monitorar uma plataforma formada por pessoas munidas de um laptop espalhadas pelo mundo.


O Facebook e o Twitter tornaram a Primavera Árabe possível


Ainda que as mídias sociais forneçam novas ferramentas de comunicação e engajamento a ativistas no combate à repressão, elas dificilmente são responsáveis por guiar movimentos sociais, diz Srinivasan, particularmente porque não necessariamente levam as pessoas às ruas. O professor diz que menos de 5% da população egípcia, por exemplo, usa Facebook, e menos de 1% tem conta no Twitter. Mas ele concorda que as mídias sociais têm efeitos indiretos na mobilização de pessoas – ajudam lideranças ativistas a organizar suas redes e a mídia a moldar sua cobertura.

Apenas jovens usam as mídias sociais


No mundo ocidental, elas são usadas por pessoas de todas as idades. Nos EUA, 60% dos usuários do Facebook têm pelo menos 35 anos, e a média de idade de membros do Twitter é de 39 anos. Isso significa que grande parte da base de usuários destes sites não usava a internet até seus 20 anos de idade. Segundo o Pew Resarch Center, dois terços de todos os adultos americanos usam redes sociais, e um estudo de 2010 descobriu que 42% dos americanos com mais de 50 anos estão incluídos nesta parcela.

As mídias sociais criam uma população global


Apesar da ideia de que a internet deveria unir pessoas de culturas e inclinações políticas diferentes, Srinivasan afirma que usuários de redes sociais raramente se aproximam de opiniões divergentes das suas. As relações no Facebook, por exemplo, ocorrem pela ligação com amigos e interesses em comum. O sistema do site é programado para apresentar ao usuário informações e atualizações pelas quais – “acredita” o sistema – ele se interessa. A disposição das ferramentas das redes, como as comunidades e a possibilidade de ser “fã” de algo ou alguém, apenas reafirma visões políticas e culturais. Mudar isso é um desafio para as mídias sociais.

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