Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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26 de janeiro de 2012

PMDB encosta Dilma na parede pois não quer largar o Dnocs

  • Durante a campanha eleitoral de 2010 a oposição quis demonstrar que a então candidata Dilma Rousseff era uma espécie de 'poste' que Lula queria colocar no lugar dele no Palácio do Planalto com base na imensa popularidade que desfrutava naquela ocasião. E assim foi. Mesmo sendo por alguns chamada de 'boneco de ventriíloquo', ela precisou ir ao segundo turno, atrapalhada pela grande votação de Marina Silva, mas acabou se elegendo no segundo turno. Ao tomar posse, o ministério nomeado por Dilma Rousseff mostrava grande número de integrantes do primeiro escalão do ex-presidente. No decorrer do ano, mais precisamente no segundo semestre, começaram a pipocar denúncias sobre desvios de dinheiro público praticados por ministros e auxiliares diretos deles, levando-os à exoneração do cargo. Os ministérios focos dos 'malfeitos' foram:Casa civil, Agricultura, Transportes, Turismo, Esportes e Trabalho. Ainda estão na 'lista de espera' nos ministérios da Integração Nacional e da Cidades. Num  primeiro momento, Dilma chegou a ter sua imagem vinculada a quem se mostrava disposta a promover uma 'faxina' no primeiro escalão, mesmo com a coincidência dos praticantes dos 'malfeitos' serem praticados por ministros indicados por Lula;
  • Todos ainda se lembram de que a 'faxina' de Dilma arrefeceu quando as denúncias atingiam ministros do PMDB. Quando o denunciado foi um ministro do PT e antigo 'companheiro de armas' da presidente, mais especificamente Fernando Pimental, ministro da Integração Nacional, liberando exageradamente verbas para seu estado natal (Pernambuco), beneficiando politicamente seu filho e a ele mesmo e privilegiando outros parentes, a presidente cuidou pessoalmente de promover a blindagem de Pimentel, apostando no esquecimento por parte da mídia e muito mais da opinião pública. A imprensa andou focalizando muitos outros fatos e Pimentel 'submergiu' no noticiário. Eis que agora Elias Fernandes Neto, diretor de um órgão do Ministério da Integração, o Deparamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), pratica a mesma coisa de Fernando Pimental, distribui a maioria das verbas do órgão para seu reduto político, o Rio Grande do Norte, em detrimento de outros estados com problemas de seca, como o Rio Grande do Sul, por exemplo, com 66% de suas cidades atingidos pela seca durante longos meses;
  • E aí aparece ninguém menos que Fernando Pimentel promovendo verdadeira 'faxina' no Dnocs, numa tentativa de mudança de sua imagem de 'protetor de Pernambuco'. Mas o pior não é isso. Como acontece desde os tempos de Lula e mais evidente sob a direção de Dilma, os ministérios e seus principais órgão - preferencialmente aqueles que dispõem de volumosas verbas no Orçamento - não são cargos da confiança da presidente mas sim 'pertencem' aos partidos que indicaram os ocupantes dos cargos e em particular aos padrinhos dos nomeados. No caso de Elias Fernandes, o líder do PMDB, deputado Henrique Alves, afirmou categoricamente que não aceita a demissão de seu apadrinhado, segundo alguns fazendo veladas ameaças ao Governo no que diz respeito às posições a serem tomadas pelo partido em futuras votações de interesse do Palácio do Planalto. Para culminar, o próprio diretor do Dnocs afirma que não aceita sua exoneração antes da palavra final do Tribunal de Contas da União (TCU), declarando: "O que não posso aceitar é que esse número astronômico de R$ 312 milhões em irregularidades seja atribuído a mim", afirmando sobre a informação de que Pimental anunciou que vai mudar o comando do Dnocs: "Ele pediu o cargo, mas quero a palavra final do TCU. Depois disso, se vou ficar ou não no Dnocs, pouco me importa";
  • Como assim?! Não é o ministro quem decide se um auxiliar sai ou não do cargo? Não é a presidente Dilma quem determina se alguém vai ou não fazer parte de sua equipe? É o líder de um dos partidos que compõe a chamada 'base aliada' quem estabelece quem fica ou não num cargo chamado de confiança da autoridade maior? Parece que Dilma Rousseff foi colocada contra a parede. Se não reagir à altura, vai ficar bastante desmoralizada. Só falta ela ir até Lula para perguntar o que deve fazer para sair dessa autêntica 'saia justa'. Sai agora no blog da jornalista Cristina Lôbo a notícia de que caiu o diretor do Dnocs, mas seu padrinho e líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Henrique Alves, vai receber algum tipo de 'cala a boca'.

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