Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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28 de dezembro de 2012

Dar 'esculacho' em médico faltoso serve para esconder mazelas na Saúde do Rio

  • Não tem nenhuma razão o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em chamar de 'delinquente' e 'irresponsável' o neurocirurgião que faltou ao plantão no Hospital Salgado Filho e que por falta de um substituto levou uma menina baleada na cabeça a uma espera de oito horas para ser atendida por outro neurocirurgião. Por acaso o prefeito carioca sabe qual foi o motivo pelo qual um médico que nunca faltou ao serviço, ao longo de vários anos, faltou exatamente naquele dia? Por qual razão, então, o achincalhar assim publicamente? Pior ainda é alguém querer processá-lo por omissão de socorro. Se ele não estava no hospital, como pôde deixar de atender a menina? E o médico que a atendeu não era para estar ali antes dessas oito horas? E a direção do hospital, por qual razão não providenciou um substituto logo cedo? Parece haver muita demagogia nas palavras de Eduardo Paes para justificar o péssimo serviço que aquele hospital da Prefeitura oferece aos seus pacientes;
  • Todo mundo sabe que o prefeito do Rio é parceiro do governador Sérgio Cabral, que também andou 'esculachando' servidor público estadual de modo estabanado, tendo que pedir desculpas depois. No caso do neurocirurgião, o que se vê é uma péssima administração da rede municipal de Saúde, com atendimento de baixíssima qualidade, com falta de material, além da remuneração baixa recebida pelos profissionais. As verbas do setor são sempre contingenciadas, enquanto que para shows com artistas estrangeiros caríssimos e para obras destinadas à Copa de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 o dinheiro sempre está disponível;
  • Disseram que o médico faltoso alegou ter pedido exoneração do cargo na quinta-feira anterior ao triste evento. Se isso ocorreu, ele só deixa de ser servidor público depois da publicação de sua exoneração no Diário Oficial, algo que certamente não aconteceu. Ele teria que continuar trabalhando normalmente até sua efetiva saída do cargo. Se foi assim, é lógico que ocorrerá um inquérito administrativo por causa das consequências que sua falta ao serviço acarretaram, pondo uma vida em risco. Talvez tenha até que dizer alguma coisa no processo que deve acontecer contra a direção do hospital;
  • Se há algo que realmente irrita o cidadão é pagar tantos impostos e sempre estar sabendo que a população não está recebendo em troca os benefícios que deveriam ser direcionados para o contribuinte/eleitor. O que não dá mais é ficar ouvindo declarações como a de Eduardo Paes, sempre destinadas a esconder a ineficiência dos governantes, que tanta coisa prometem para se eleger ou reeleger, e muito menos assistir Sérgio Cabral fazendo beicinho e cara de choro quando lamenta ocorrências que só acontecem exatamente por falta de qualidade nos serviços pelos quais são responsáveis.

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