- O jornalista Nelson Motta é especializado em música. Ele fez parte de um grupo de primeiros 'jurados' de programas de televisão, na antiga TV Tupi, no programa de Flávio Cavalcanti, juntamente com outros críticos musicais como Fernando Lobo (pai de Edu Lobo), José Fernandes, Mister Eco, Sergio Bittencourt e Mariozinho Rocha. Escreve no 'O Globo' e tem uma apresentação semanal no jornal noturno da TV Globo. Nesta sexta-feira, Nelson Motta fez um interessante comentário com o título acima sobre o festival de propinas trazido a público pelo programa 'Fantástico', que merece ser transcrito e lido. Aí está:

A mise-en-scène é moderna, mas os métodos são antigos e se espalham como um câncer nas administrações, só mudam os nomes dos malfeitores e dos partidos no poder, que não por acaso são sempre beneficiários de generosas contribuições das quadrilhas. Vai ser assim enquanto pessoas jurídicas - que não votam - puderem participar de campanhas eleitorais.
Os ramos de atividade são clássicos da gatunagem: coleta de lixo (esse pessoal ama o lixo, como negócio e metáfora), quentinhas de presídios (são os melhores clientes, não reclamam nunca), aluguel e manutenção de carros (em um ano recuperam o preço do veículo).
Roubar de hospitais, de crianças doentes, é repugnante, mas nada mais surpreende num País que já viu desbaratadas quadrilhas de funcionários, políticos e empresários que roubavam sangue, remédios para câncer e merenda escolar. Roubam de crianças, presos e doentes, e, num eufemismo delubiano, chamam de "ética do mercado". No Brasil maravilha da propaganda oficial, é um show de realidade: com o País mais rico, rouba-se mais.
Mas este não é só mais um dos incontáveis episódios de suborno de gestores e roubo de dinheiro público, é um arquétipo documentado, um padrão que deveria ser estudado como um modelo, porque se reproduz de forma sistêmica em todo o Brasil, com a administração pública dominada - como nunca na história desse País - pelos interesses dos políticos e dos partidos.
Como é incontestável que a maior parte dos nossos representantes federais, estaduais e municipais é de baixo nível ético, como esperar que os ruins façam boas indicações? Você confiaria em alguém indicado por Sarney, Renan ou Jucá?
O castigo extra para os quadrilheiros cariocas vai ser comer a gororoba de preso que eles superfaturavam.
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