Comentários sobre política brasileira e outros temas polêmicos

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4 de fevereiro de 2013

Carta aberta ao senhor prefeito

  • A carta a seguir transcrita é do advogado Gabriel Padilha, publicada na edição de ‘O Globo’ da última sexta-feira. Vale a pena ler e medir a dor dos pais dos mortos na tragédia de Santa Maria:

“Prezado senhor Eduardo Paes, como está a situação das boates da cidade que o senhor administra? Conheço, por fora, uma boa quantidade delas. Levo e busco minhas duas filhas, gêmeas de 18 anos, nas baladas. Não sou porta-voz de pais de jovens, mas creio traduzir o sentimento da maioria deles. Confesso que estou em pânico. Acredito que uma boa quantidade dessas boates é urna ratoeira igual a Kiss de Santa Maria (RS).

Diante de tanta dor vinda do Sul, sei exatamente como se sentem as centenas de pais que perderam seus filhos naquela tragédia. Estão devastados. Sei como estarão daqui a seis anos, Amputados de um pedaço de si. Sei porque no dia 3 de setembro de 2006, perdi minha filha, então com 17 anos. Foi na Tragédia da Lagoa. Relembro aquele desastre de automóvel no qual morreram os cinco jovens que estavam no carro dirigido em alta velocidade pelo motorista alcoolizado. Voltavam de urna festa. Levo flores e visito sempre, as margens da Lagoa, a árvore que interrompeu os sonhos da minha filha. Não tenho dúvida que esse fato contribuiu para a criação da Lei Seca, que hoje salva vidas.

Enterrar um filho é a única dor que não tem fim. Seus pais sabem disso, senhor prefeito. Acho que todos os comandantes bombeiros das cidades do pais e aqueles encarregados de fiscalizar a segurança das boates deveriam estar agora em Santa Maria, ouvindo o choro desesperado e a revolta daqueles pais. Ficariam surdos com os gritos, muitos deles silenciosos.

Mas, voltando à nossa cidade, não seria vital uma vistoria rigorosa em todas as boates? Como não posso proibir minhas filhas de viverem sua juventude, também não gostaria de ser obrigado a fornecer a elas um kit-sobrevivência: máscara contra gases tóxicos, lanterna, um extintor portátil e urna picareta para romper paredes. Não caberia na bolsa.

Mais fácil seria o poder público exercer com rigor aquilo que lhe compete: fiscalizar o cumprimento das exigências de segurança, lacrar boates em desacordo e ate fechar se for preciso. O que não podemos é sentir medo, ou mais, terror, que nossos filhos não voltem por culpa da ganância de empresários e pelo descaso e leniência do estado,

Já vivi isso quando encontrei minha filha sob um plástico preto, ao lado de um carro destruído. Sei que "Viver é muito perigoso', escreveu Graciliano Ramos, mas podemos minimizar isso procurando ser corretos e exercendo com rigor o que nos compete. Em respeito a memória dos mais de 200 jovens e a dor de seus pais, ninguém deve dizer que aquela tragédia foi urna fatalidade. Foi desprezo pela vida humana.

Caro prefeito, quero crer que o senhor já deve estar tomando suas providências, afinal, o senhor é um homem de ação. Mas nós, pais, precisamos ter a certeza de que o rigor no cumprimento das normas de segurança será aplicado em cada casa noturna e que essa fiscalização não será passageira, apenas enquanto durarem na mídia as dolorosas imagens de Santa Maria”.

Um comentário:

  1. Só 'as casa noturnas? A prefeitura do Rio não tem nada.
    Moro perto de uma praça, cerca de 500m, domingo é um samba, que apesar de não gostar, sou obrigado a ouvir, mesmo com as janelas fechadas. A praça te tomada de cadeiras e mesas. Ligo, reclamo e nada.
    Não fiscalizam um simples bar. Pq fiscalizariam boates?
    Na rua Alexandre Calaza, Vila Izabel, na calçada só carros, durante todos os dias e fiscal? Nem pensar, mesmo que vc denuncie.
    Segundo o telefone, 1746, não politica da prefeitura. A fiscalização só pode ser feita uma vez e até 4 hrs da reclamação. De resto, esqueça.
    Buracos? Problema seu. Ipva e afins, servem para o que?
    Provavelmente férias em Paris.
    Ninguém quer nada com nada. A não ser aparecer na tv chorando quando morrem 200 no mesmo acidente, pq se for em acidentes diferentes, ninguém chora.

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