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8 de dezembro de 2012

Quem desobedecer a uma decisão do STF pode se dar mal!

  • Quando a maioria do povo espera uma solução final para as pendências que ainda existem para o encerramento definitivo do julgamento do 'Mensalão do PT', surge agora uma guerra de opiniões sobre a cassação dos mandatos dos deputados do PT já condenados à prisão. O ministro relator da ação, Joaquim Barbosa, diz que a perda do mandato é automática e o 'defensor público' dos petistas, ministro Ricardo Lewandowski, afirma que a cassação é uma prerrogativa da Câmara. A discussão nos parece ser desnecessária. Diz o Art. 55 da Constituição Federal, em seu inciso IV, que perderá o mandato o Deputado ou Senador. Já o Art. 15 de nossa Carta Magna é bem claro quando estabelece, entre outros casos, que é vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
  • Um fato que chamou (e ainda chama) a atenção de todos durante o julgamento do 'Mensalão do PT' é a forma como o ministro Ricardo Lewandowski constantemente discordou de seu colega Joaquim Barbosa, sempre em defesa de absolvição ou penas menores principalmente para réus filiados ao PT, esquecendo-se de sua posição de magistrado e adotando, ao contrário, uma posição político-partidária. Nessa discussão sobre a cassação de mandatos de deputados petistas, ele mais uma vez adotou posição que entende ser tal decisão da competência da Câmara, onde certamente a 'base aliada' do Governo utilizaria o corporativismo e a capa de proteção do voto secreto para manter os representantes do PT em seus cargos;
  • Na ótica de Lewandowski, se absolvidos pela Câmara, os deputados poderiam sair da prisão para 'representar o povo que os elegeu', voltando em seguida para o xadrez. “Ele pode ser preso e ainda sim continuar a exercer seu mandato. Nada impede que os réus exerçam atividade laboral fora do sistema carcerário para depois irem para o repouso noturno”, disse Lewandowski, ao defender a preservação dos mandatos dos deputados mensaleiros condenados pelo STF, explicando que os parlamentares poderiam aproveitar o período da tarde para defender os interesses do povo;
  • Como assim? Se quem foi condenado por algum tipo de colegiado jurídico fica enquadrado na Lei da Ficha Limpa e consequentemente impedido de concorrer nas eleições, por qual razão alguém que tenha sido condenado à prisão pelo órgão colegiado mais elevado da Justiça brasileira ainda teria direito a ampla defesa diante de seus colegas, com o argumento de que foram eleitos pelo voto popular? Isso não pode ser sério! Seria talvez o mesmo que permitir que um policial condenado e preso por formação de milícias, por exemplo, possa sair da prisão e participar de operações de combate ao crime, visto que foi aprovado em concurso público;
  • O presidente da Câmara dos Deputados, Marcos Maia (PT-SP), afirmou que não acatará uma possível cassação de mandato dos parlamentares petista condenados à prisão e os manterá no cargo de deputado. Seria somente um ato de insubordinação a uma decisão judicial, algo não recomendável até mesmo para o terceiro homem na linha sucessória do cargo de presidente da República. Ficamos, então, com o que disse o ministro Joaquim Barbosa sobre essa ameaça: "Quem desobedecer ao cumprimento de uma decisão da maior Corte de Justiça do país, que arque com as consequências".

7 de dezembro de 2012

Dilma e a balela do desconto de 20% nas contas de energia elétrica

  • Em postagem feita no dia 7 de novembro passado, este Blog já considerava como 'estelionato eleitoral' o anúncio feito para presidente Dilma Rousseff em setembro passado, em data próxima às eleições municipais (Leia aqui), dando conta de que o Governo estava proporcionando aos consumidores de energia elétrica um grande presente, que seria a queda de até 20,2% nas contas de energia elétrica a serem pagas a partir de janeiro do ano que vem. Agora, o Governo prevê a redução de 16,7% nas tarifas de energia elétrica, redução aquém do anunciado inicialmente pela presidente Dilma em setembro, numa clara demonstração de que o anúncio feito em rede nacional de TV e rádio tinha por objetivo alavancar candidaturas de candidatos petistas e aliados às prefeituras do País;
  • Agora, com a nova média anunciada, Dilma Rousseff passou a usar o assunto não se sabe se como palanque para 2014 ou para desviar o foco da da mídia para o escândalo 'de plantão' nas hostes petistas, que é o 'Rosegate', dividindo as atenções com o fim do julgamento do 'Mensalão do PT'. Num discurso cheio de demagogia, a presidente quis dar a entender que as empresas que se negaram a aceitar as normas que provocariam o desconto de 20,2% nas contas eram, coincidentemente, de estados governados por tucanos. A presidente Dilma, então, assegurou  que o Tesouro Nacional irá bancar a diferença da tarifa de energia elétrica para que o percentual de queda da conta de luz no próximo ano seja o prometido pelo Governo, apesar da adesão parcial das empresas de geração. Traduzindo: como o Tesouro Nacional não produz dinheiro, caberá ao consumidor, que paga impostos para encher os cofres do Tesouro, bancar a diferença do desconto prometido. É isso mesmo;
  • Acontece que boa parte dos moradores do Estado do Rio de Janeiro, aqueles que são atendidos pela Light, vai ter mais uma 'surpresa'. É que o Governo Federal permitiu que a empresa reajustasse suas tarifas em 12,27%, isso depois de anunciar o tal desconto de 20,2%. Exemplificando melhor, é como se um consumidor pagasse R$ 100,00 por mês, passando em janeiro a pagar, com a redução anunciada por Dilma, sua conta no valor de R$ 79,80. No entanto, com o aumento da tarifa em 12,27%, sua conta de R$ 100,00 passaria a ser no valor de R$ 112,27. Com o desconto de Dilma, em janeiro ele pagaria R$ 89,59, ou seja, R$ 9.79 a mais do que esperava antes do aumento concedido à Light. Mas como o desconto seria de 16,7%, A fatura desse consumidor viria em janeiro no valor se R$ 93,52. Como o Tesouro Nacional vai cobrir a diferença do desconto, que é R$ 3,93, o consumidor da Light, além de um desconto menor que o anunciado ainda vai bancar mais R$ 3,93 através dos impostos que paga;
  • Não é à toa, portanto, que a revista 'The Economist' tenha recomendado a demissão da equipe econômica de Dilma Rousseff, por total incapacidade de gerir as finanças do Brasil, levando a chefe do Executivo mais uma vez a entrar literalmente numa 'furada'.

6 de dezembro de 2012

Até para ter amante, presidente da República tem que ter classe!

  • "Não quero você perto do poder. O poder é perigoso. Se souberem que você tem um caso com o presidente da República, os políticos e meus próprios amigos vão começar a te bajular para que você, na cama, consiga comigo as coisas que eles não conseguem no meu gabinete nem nas minhas churrascadas". O leitor deve estar pensando que essa declaração foi feita pelo ex-presidente Lula, dirigindo-se à já famosa Rose, que andou por uns tempos de declarando como 'namorada de Lula', segundo a imprensa anda noticiando nos últimos dias, recurso para coagir até ministros para tomarem decisões não muito republicanas que favoreceram amigos e parentes dela, o que ocasionou a exoneração dela e até a prisão de grande grupo de outros integrantes de algo considerado pela Polícia Federal (PF), como uma verdadeira quadrilha;
Myrian, a namorada de Figueiredo
  • Mas não é nada disso. A frase é do ex-presidente João Figueiredo dita à empresária Myrian Abicair, que em reportagem publicada esta semana em 'O Globo' conta a história de seu romance com o então general presidente. A matéria completa está transcrita na íntegra no site 'O Impacto", na qual Myrian enfatiza: "Eu nunca entrei na aeronave presidencial. Ao que eu me lembre, uma vez eu peguei carona no avião reserva para ir de Brasília a São Paulo. Eu nunca viajei com ele para fora do país e, mesmo aqui dentro, nunca viajávamos juntos". Ela também afirma que nunca entrou em carro oficial, durante o tempo em que namorou Figueiredo, rejeitando a expressão amante, justificando: Para ele, Myrian era namorada. No dia em que ele esteve na casa  dela para conversar com meus filhos - ela é mãe de um casal - disse para eles: “Eu quero que saibam que a mãe de vocês não é minha amante, mas namorada. Meu casamento, hoje, é só uma formalidade”, isso porque seu relacionamento com a então primeira-dama Dulce Figueiredo era de fachada;
  • O fato serve para se fazer uma comparação sobre o comportamento dos dois ex-presidentes. Além de não esconder até dos filhos de Myrian o fato, há hoje uma grande diferença em relação ao possível romance entre Lula e Rose, pois todo mundo faz questão de impedir que ela esclareça se havia mesmo esse tipo de relação entre os dois, no qual ela tirou proveito para beneficiar de modo ilegal muita gente e a ela também. Se não havia nada demais, qual o motivo de tanta blindagem para que Rose não compareça a nenhuma instância do Legislativo para prestar esclarecimentos, não da vida particular dela e de Lula, mas sim sobre o que de errado andou fazendo aproveitando-se de uma proximidade e intimidade com o ex-presidente Lula. De que ela tem medo, ou melhor, estão medo de ela fale o quê?

2 de dezembro de 2012

Fux procurou Dirceu para ser nomeado, mas não o aliviou da cadeia

  • Essa notícia tem um lado bastante positivo, pois significa que o ministro Luiz Fux não demonstrou nenhuma gratidão ao apoio do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, pela a sua indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF). O jornal 'Folha de São Paulo' informa hoje que em 2010 o ministro Luiz Fux manteve contato com com José Dirceu,  réu no processo do mensalão, quando tentava uma vaga de ministro do Supremo. Luiz Fux informa: "Eu fui a várias pessoas de São Paulo, à Fiesp. Numa dessas idas, alguém me levou ao Zé Dirceu porque ele era influente no governo Lula". Ele lembra que não havia até então nada demais ter procurado José Dirceu, alegando: “A pessoa, até ser julgada, ela é inocente”;
  • Na reportagem, o ministro Luiz Fux diz que desde 1983, quando, aprovado em concurso, foi juiz em Niterói (RJ), passou a sonhar com o dia em que se sentaria em uma das onze cadeiras do (STF). Quase trinta anos depois, em 2010, ele saía em campanha pelo Brasil para convencer o então presidente Lula a indicá-lo para compor o quadro de ministros da Corte. Fux era ministro do Superior Tribunal de Justiça(STJ), cargo considerado como o penúltimo degrau na carreira da magistratura. Ele estava nessa luta para o STF desde 2004. Sempre que surgia uma vaga, ele se colocava. E acabava preterido. "Bati na trave três vezes", lembrou;
  • A assessoria de José Dirceu afirma que houve mais de uma reunião entre eles, sempre a pedido do  ministro Fux. Essa informação certamente foi uma tentativa de constranger o ministro. No entanto, o ministro julgou com rigor e independência, no processo do 'Mensalão do PT', mostrando que ele não Usou a toga  para a nomeação com a absolvição do réu José Dirceu, numa posição totalmente análoga as dos ministros 'petistas' Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, que votaram pela absolvição de seus 'companheiros do PT. Luiz Fux contou à 'Folha de São Paulo' que chegou a pensar que não havia provas do processo da participação do PT no governo Lula, mas mudou de ideia: "Quando fui ler o processo, no recesso de julho, dez horas por dia, 50 mil páginas, 500 volumes de documentos, verifiquei que tem prova. Eu fiquei estarrecido", concluiu;
  • Não é sem razão que Luiz Fux é o ministro que tem maior afinidade com o presidente do STF, Joaquim Barbosa, que o escolheu para falar em nome dos mais na solenidade de sua posse como presidente do Supremo. Os bons se escolhem e se separam dos maus.

1 de dezembro de 2012

'Rosemary, Rose, Rosa'

  • Mais uma vez estou transcrevendo artigo da jornalista Ruth de Aquino, este publicado na edição desta semana da revista 'Época', no qual ela aborda com muita propriedade o escândalo que envolve a poderosa ex-secretária particular de Lula, a já famosa Rose, que chefiava o Escritório da Presidência da República em São Paulo e que foi denunciada pela Polícia Federal por comandar uma verdadeira quadrilha de servidores públicos que se beneficiavam de medidas tomadas em favor deles próprios, de parentes e amigos, além de viajar pelo mundo a fora nas comitivas oficiais do ex-presidente:

Ruth de Aquino
Quando Rosemary saiu das sombras de seu chefe direto, Lula, e ficou mais famosa do que vilã de novela, ao ser demitida por Dilma, a fofoca correu o Brasil: “Sabia que ela era amante de Lula?”. Um amigo me dizia saber de fonte segura e insuspeita, do Palácio. Outro comentava apenas que era óbvio: “Eles viajavam juntos para todo lado, ela era uma secretária com superpoderes e com passaporte diplomático”.

O assunto começou a me dar asco. Creio que muitas mulheres já se viram em situação parecida. Foi promovida? É porque deu para o chefe. Viajaram juntos, foram para o mesmo hotel? É claro que transaram.

Inicialmente, nenhuma reportagem deixou claro que os dois teriam uma relação amorosa ou sexual. Mas todos os eufemismos foram usados. Rose é “amiga íntima” de Lula. Dona Marisa Letícia “não gosta de Rose”. Rose chama Lula de “tio”. Lula chama Rose de “Rosa”. Pedidos de Rosa para ajeitar a vida da filha e do ex-marido eram como ordens. Rose “rodou o mundo” com Lula. A Polícia Federal “gravou 122 ligações pessoais entre Rose e Lula”.

Não me interessa saber se o PR – sigla usada por Rosemary para tratar do então presidente em e-mails – e sua ex-chefe de gabinete em São Paulo trocavam carinhos. Se havia um caso consensual entre dois adultos, isso interessa apenas à ex-primeira-dama. A julgar pela ausência de Dona Marisa em evento do Calendário Pirelli, no Rio de Janeiro, onde Lula se aboletou sobre o decote de Sophia Loren, ele não escapará da CPI doméstica.

O importante para todos nós é que Rosemary, falastrona, não só pedia favores pessoais em nome de Lula. Para obter o que queria, ela se identificava como sua “namorada”. Se for verdade, e ela usou o sexo ou o amor como trampolim para defender interesses privados, isso é imoral, ilegal, irregular. Mulheres assim prestam um desserviço à categoria. E Lula, até que ponto ele permitiu que sua intimidade contaminasse suas decisões como líder político? Não é imoral apaixonar-se. Mas um presidente não pode misturar vida privada e pública, sob pena de, nas suas próprias palavras, “ser apunhalado pelas costas”. Dilma não gostou.



Até que ponto Lula deixou sua intimidade contaminar o Poder e, agora, acuar o governo Dilma?  

A imprensa sempre protegeu a vida particular de Fernando Henrique Cardoso e nunca fuçou suas aventuras ou romances extraconjugais. Era tabu falar de filhos de FHC fora do casamento, por ser um assunto estritamente privado. O adultério do senador Renan Calheiros só veio à tona porque havia uma empreiteira no meio do amorzinho com Mônica Veloso, a mineira que escancarou na Playboy os bens materiais de Renan. 

Esquecendo o lado picante – já que Rose não é nenhuma Mônica Veloso e nem com plástica seria convidada a posar nua –, os maiores estragos morais vêm do abominável “pequeno poder” de nossa República. Instalado por um governo queprometia ética, ética, ética. As revelações diárias da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, sobre as tramoias dos personagens envolvidos com o escritório da Presidência da República em São Paulo chocam, de certa maneira, até mais que o mensalão, um escândalo da alta política.

A Porto Seguro mostra a teia da baixa política. Um dos fios podres é a desmoralização de agências reguladoras. Com a indicação de Rose e a cumplicidade do senador “incomum” José Sarney, o Congresso aprovou raposas para regular os galinheiros. Foi o caso de Paulo Vieira, cuja incompetência técnica para dirigir a Agência Nacional de Águas (ANA) tinha sido atestada por especialistas.

Paulo chamou alguém do mesmo sangue, Rubens, para dirigir a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os irmãos Vieira são acusados de coordenar um esquema de pareceres irregulares que favorecem amigos, senadores e parentes. Diplomas falsos, avaliações de faculdades no MEC, cargos apadrinhados em autarquias do governo, construções de portos e mansões particulares em ilhas de cabras e bagres. Violando regras e procedimentos. Rose e Paulo, amigos há dez anos, planejavam abrir um curso de inglês em São José dos Campos, Red Balloon (ou Balão Vermelho). É uma história muito brega, se não fosse perigosa.

Lula agora precisa explicar direitinho quem o apunhalou. Nunca antes na história um presidente foi tão traído. Duvido que fale antes da viagem de duas semanas que fará, a partir desta sexta-feira, para Paris, Berlim, Doha e Barcelona.

Há outra pergunta que não sai da minha cabeça. Qual foi o motivo da demissão fulminante de Rose?

1) um ato de coragem e retidão de Dilma por não compactuar com a corrupção?

2) um ato de irritação com uma personagem de cujo caráter Dilma suspeitava havia anos, tendo alertado Lula em vão?

3) uma manobra para evitar que Rose deponha no Congresso (governistas se opõem a sua convocação alegando que ela já foi demitida)?

Se a afobada Rose diz que não fez nada “imoral, ilegal ou irregular”, vamos dar a ela a chance de se defender. Não?

30 de novembro de 2012

'O Maior Golpe na Impunidade'

  • Chamou a atenção dos leitores a edição desta quinta-feira de 'O Globo' utilizando quase toda sua primeira página com a machete 'O Maior Golpe na Impunidade' e um retrato em traço do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do 'Mensalão' que foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e terminou com a condenação de 25 indiciados, sendo que 13 deles condenados a prisão em regime fechado, com destaque para o ex-ministro José Dirceu, também ex-presidente do PT, e Delúbio Soares, ex-tesoureiro do mesmo partido. Por ironia do destino, 13 é exatamente o número do partido cujos principais integrantes comandaram aquele que é considerado o maior escândalo político do País, no qual milhões de reais, dinheiro proveniente dos cofres públicos, foram utilizados para compra de votos em favor do Governo que tinha como presidente da República o petista Lula;
  • Além da primeira página marcante, "O Globo' também publicou um suplemento especial com 16 páginas dedicadas ao 'Mensalão do PT' intitulado 'Um Julgamento para a História'. Tanto a página inicial como o suplemento do jornal carioca marcam a história do julgamento que pode ser considerado com um duro golpe na impunidade que sempre se viu em casos semelhantes. Chamou a atenção de todos os que acompanharam o julgamento pelo STF o fato de que os ministros do Supremo que condenaram os 25 membros da verdadeira quadrilha que assaltou os cofres públicos era composta por considerável maioria de pessoas indicadas e nomeadas ou pelo ex-presidente ou pela presidente Dilma Rousseff, que certamente pensavam que eles se mostrariam 'agradecidos' por suas indicações ou nomeações, absolvendo aqueles que poderiam ser consideradso como 'companheiros' de quem os fizeram chegar à Corte máxima do Brasil. Se enganaram, porque eles resolveram agir como verdadeiros juízes;
  • No referido suplemento, Joaquim Falcão, professor da Fundação Getúlio Vargas - Direito Rio,  escreveu artigo no qual se destacam dois trechos: "O Brasil viu o Supremo. Sofre-se um pouco, é verdade, mas ficamos democraticamente mais maduros. A opinião pública entrou no julgamento do Supremo. O Supremo entrou na vida da opinião pública. Como toda relação, esta daqui para frente será feita de amor e ódio. Altos e baixos", referindo-se, certamente, ao acompanhamento ao vivo pela TV Justiça. E mais: "Acabou o mensalão. Faltam ainda ajustes sobre a penas, diante de recursos. O que é natural. Agora, podemos até recordar, mas esqueçamos as disputas de Barbosa ou Lewandwski, Fux ou Toffoli. Tenhamos saudade de Ayres Britto. Homenageemos os procuradores e advogados. Ningiuém esteve sozinho por lá. Ninguém se pronunciou sozinho. Foi somente o Supremo sozinho quem decidiu. Isto basta para a democracia".

29 de novembro de 2012

Lei do Boi, 44 anos, uma perspectiva sociológica

  • Transcrevo a seguir, com o título acima, interessante artigo de Dijaci David de Oliveira, doutor em Sociologia e professor da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Federal de Goiás (UFG), que trata de assunto ainda muito polêmico no Brasil:

A instituição de sistema de cotas na última década tem produzido fortes debates. Mas isso nem sempre foi assim. Neste ano, uma das primeiras leis instituindo cotas na educação pública brasileira completa 44 anos. Trata-se da Lei nº 5.465, de 3 de julho de 1968, mais conhecida como a “Lei do boi”. 

De forma mais abrangente a lei assegurava reserva de vagas tanto no ensino médio quanto em instituições superiores. Ainda, conforme a lei, 50% das vagas nos estabelecimentos de ensino médio agrícola e nas escolas superiores de agricultura e veterinária mantidos pela União ficariam disponíveis para atender às demandas de formação específica para alguns segmentos sociais. 

Embora afirmasse que as vagas se destinavam para os filhos de proprietários e não proprietários rurais, ninguém precisa ser um especialista em sociologia rural para saber que os beneficiários da lei foram apenas os filhos da elite rural. A razão é muito simples. Se, ainda hoje, a agricultura de subsistência demanda o trabalho de todos os membros da família, pais e filhos, para garantir sua sobrevivência, há quatro décadas a situação não era melhor. 

A Lei do boi foi revogada em 1985, portanto, 17 anos após a sua criação. Todavia existem boas razões para questioná-la. A primeira é que a Lei do boi, ao desconsiderar as condições sociais dos filhos dos camponeses, atendia apenas aos filhos da elite rural. Segundo, se propunha ao estabelecer uma política permanente, ou seja, sem previsão de término. 

Muito diferente das proposições atuais, a Lei do boi não atendia aos princípios de justiça reparatória e de busca de equidade. Isso porque não se propunha a eliminar distorções sociais que ainda hoje condenam gerações inteiras de famílias a nascerem e morrerem nos gradientes mais baixos da hierarquia social. 

Como a Lei do boi atendia aos interesses da elite rural, o questionamento foi infinitamente menor. Sua legalidade só foi objeto de debate após anos de existência e só caiu porque se reconheceu que os filhos de camponeses não eram beneficiados. Portanto, apenas reproduzia e reforçava a desigualdade social. 

As leis atuais, muito diferentes da Lei do boi, pretendem reduzir as fortes distorções que vêm sendo perpetuadas ao longo de séculos. Negros libertos não tiveram acesso a educação pública, moradia nem trabalho assalariado. Mesmo os brasileiros só ganharam status de cidadãos no governo de Getúlio Vargas, porque os países europeus proibiram a saída de migrantes devido à escassez de mão de obra produzida pelas duas Guerras Mundiais. 

Apesar do histórico da desigualdade brasileira, muitos ainda tentam nos convencer de que é preciso “esperar” a melhoria da escola pública. Contudo essa promessa vem de longa data. Aliás, muito semelhante à ideia de “esperar o bolo crescer, para depois repartir”. Diante de promessas de cumprimento improvável, seguramente é melhor apostar em uma proposição concreta de implantação de uma política de cotas, para que daqui a dez anos não precisemos mais dela, e cobrar ao mesmo tempo uma política sistemática de melhoria real da escola pública. Sem isso, ano após ano, a desigualdade nos perseguirá.

Lula e o PT fazem de tudo para não ser criada a 'CPI da Rose'

  • Não é por acaso que o PT e o ex-presidente Lula tentam - e conseguem - a blindagem contra a criação da CPI da Rose. Para isso, as lideranças do Governo e do PT e o próprio Lula trabalham intensamente, nos bastidores, para barrar uma eventual proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os recentes casos de corrupção e tráfico de influência de servidores federais divulgados pela imprensa e que levou a presidente Dilma Rousseff a exonerar e afastar os servidores indiciados pela Polícia Federal (PF), destacando-se a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, a 'Rose'. Em busca de conseguir essa blindagem, os petistas e o ex-presidente estão conversando inclusive com dirigentes da oposição;
  • Há informações de que Lula tem telefonado a políticos oposicionistas, pedindo voto de confiança até a conclusão das investigações da Operação Porto Seguro. A oposição parece que está aceitando o jogo do PT e de Lula, haja vista a decisão do PSDB de 'pegar leve' com o ex-presidente até que surjam fatos novos. Tudo isso ocorre porque o Palácio do Planalto tampouco interessa uma CPI procurando eventuais maracutaias que envolvam a Advocacia Geral da União (AGU) no escândalo. O Governo está pouco preocupado com os irmãos Paulo e Rubens Vieira, diretores da ANA e Anac, que estão presos;
  • A grande preocupação da cúpula petista é exatamente com Rose por causa de suas ligações muito próximas com Lula, mesmo depois de ele deixar a Presidência. Por exemplo, era Lula quem autorizava a ‘carona’ de Rose nas viagens que ele fazia ao exterior. Diz-se que nas quase 30 viagens nacionais e internacionais na comitiva do ex-presidente, Rose raramente constava da lista oficial de passageiros em aviões militares, no caso, o 'Air Force 51' da Força Aérea Brasileira (FAB). A lista era alterada por Lula, que tinha a palavra final sobre o assunto, não o comandante. A carona foi institucionalizada por Lula. Muita gente se lembra de que o avião oficial da Presidência certa vez foi utilizado por familiares de Lula conduzindo amigos para uma festiva farra na piscina da Granja do Torto;
  • Uma autêntica fofoca, ou não, foi lançada por alguém que não se identificou, mas que participou de muitas das viagens em que Rose esteve presente, oficialmente ou de carona, quando disse: “Se o avião caísse sem Rose na lista, todos saberiam que estava lá”, acrescentando que a então primeira-dama, Marisa Letícia, sabia das viagens, “mas não de todas”. Aí o assunto sai das páginas e discussões políticas e passa a integrar os espaços das revistas de fofoca entre as celebridades. E nas altas esferas do mundo político, todos são celebridades. Daí, onde há fumaça pode realmente haver fogo.