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30 de abril de 2012

Será que a CPMI do Cachoeira é mesmo pra valer? Pode ser...

  • Em artigo publicado na revista 'Época' desta semana, o jornalista Guilherme Fiuza comenta as atividades da Delta Construções relacionadas com as mais recentes revelações. No início de seu artigo, Fiuza diz: "Se Dilma não enxergou o que a Delta andou fazendo com seu governo, está correndo perigo: pode tropeçar a qualquer momento num desses sacos de dinheiro que atravessam seu caminho, rumo às obras superfaturadas do PAC". Mais adiante, Fiuza fala assim: "De posse do relatório da CGU, expondo a farra da Delta nas obras do PAC, o que fez Dilma Rousseff? Eleita presidente, assinou mais 31 contratos com a Delta";
  • Existe alguma curiosidade em relação ao que vai acontecer na CPMI do Cachoeira. Todos os dias surgem novidades relativas às ligações do poderoso 'empresário da contravenção' não só com o ex-arauto da moralidade política, senador Demóstenes Torres, mas também com a Delta Construções e seu agora ex-presidente Fernando Cavendish (como tem Fernandos metidos nessas últimas confusões e 'malfeitos' dos políticos ligados ao Governo!). O assunto do momento são as cenas da 'pajelança' ocorrida em Paris, mostrando uma forte intimidade do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, com Cavendish, que por sua vez é acusado de ser sócio oculto de Carlinhos Cachoeira em vários negócios. Por sinal, a Delta tem polpudos contratos no Estado do Rio, muitos deles inexplicavelmente obtidos sem que tenham seque realizadas licitações;
  • Em meio a tudo isso, vê-se também que a Delta Construções não atua somente no setor de obras, mas sim num amplo leque de serviços, uma espécie de 'faz tudo', desde que seja para órgãos públicos. No Rio de Janeiro, os contratos da empesa ultrapassam o total de R$ 1 bilhão e 500 mil. Cabral com certeza vai ser blindado por odem do Governo, pois é um dos queridinhos de Dilma. Mas é no Governo Federal que a Delta tem a sua maior fonte de faturamento, principalmente na execução de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo ex-presidente Lula, que designou a sua então Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para coordenar o programa, dando a ela a designação de 'mãe do PAC', o que serviu de carro-chefe de sua campanha vitoriosa à Presidência da República, embora as tais obras andem 'emPACadas';
  • Por esta razão e com base na série de revelações surgidas sobre as relações e influência de Carlinhos Cachoeira com vários setores e integrantes do Governo, o PT apressou-se em indicar para a CPMI senadores e deputados 'fiéis' para evitar que aconteçam 'respingos' em membros do Governo durante os trabalhos da comissão. A presidente Dilma tem declarado que a CPMI não lhe diz respeito e que a mesma é assunto exclusivo do Congresso. Mas ela mente. Não fora assim não teria Lula em pleno tratamento de sua doença viajado até Brasília para se reunir com Dilma e traça estratégias a serem seguidas pelos governistas na CPMI. Para muitos, essa comissão é um jogo de cartas marcadas e, como outras, vai acabar em pizza, principalmente se pessoas próximas à presidente forem sequer ameaçadas de serem convocadas para depor. Certamente vai entrar em ação o 'rolo compressor' na grande maioria governista na composição da CPMI. Se isso não acontecer, veremos, então, que a CPMI é mesmo para valer.

20 de abril de 2012

Confira quem não apoiou a CPMI do Cachoeira

SENADORES
  1. Benedito de Lira (PP-AL)
  2. Clésio Andrade (PMDB-MG)
  3. Clovis Fecury (DEM-MA)
  4. Demóstenes Torres (ex-DEM-GO)
  5. Eunício Oliveira (PMDB-CE)
  6. Garibaldi Alves (PMDB-RN)
  7. José Sarney (PMDB-AP)
  8. Lobão Filho (PMDB-MA)
  9. Sérgio Petecão (PSD-AC)

DEPUTADOS
  1. Acelino Popó (PRB-BA)
  2. Adrian (PMDB-RJ)
  3. Aelton Freitas (PR-MG)
  4. Alex Canziani (PTB-PR)
  5. Anderson Ferreira (PR-PE)
  6. André Zacharow (PMDB-PR)
  7. Aníbal Gomes (PMDB-CE)
  8. Antônia Lúcia (PSC-AC)
  9. Antonio Brito (PTB-BA)
  10. Antônio Roberto (PV-MG)
  11. Aracely de Paula (PR-MG)
  12. Arlindo Chinaglia (PT-SP)
  13. Arnon Bezerra (PTB-CE)
  14. Aureo (PRTB-RJ)
  15. Beto Mansur (PP-SP)
  16. Bruna Furlan (PSDB-SP)
  17. Carlos Magno (PP-RO)
  18. Celia Rocha (PTB-AL)
  19. Cida Borgheti (PSDB-PR)
  20. Cleber Verde (PRB-MA)
  21. Damião Feliciano (PDT-PB)
  22. Davi Alves Silva Júnior (PR-MA)
  23. Dimas Fabiano (PP-MG)
  24. Dr. Adilson Soares (PR-RJ)
  25. Edivaldo Holanda Junior (PTC-MA)
  26. Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
  27. Elcione Barbalho (PMDB-PA)
  28. Eliene Lima (PSD-MT)
  29. Eros Biondini (PTB-MG)
  30. Eudes Xavier (PT-CE)
  31. Fábio Faria (PSD-RN)
  32. Felipe Bornier (PSD-RJ)
  33. Francisco Floriano (PR-RJ)
  34. Francisco Praciano (PT-AM)
  35. Giacobo (PR-PR)
  36. Gladson Cameli (PP-AC)
  37. Guilherme Mussi (PSD-SP)
  38. Heleno Silva (PRB-SE)
  39. Hermes Parcianello (PMDB-PR)
  40. Hugo Napoleão (PSD-PI)
  41. Inocêncio Oliveira (PR-PE)
  42. Janete Capiberibe (PSB-AP)
  43. Jaqueline Roriz (PMN-DF)
  44. Jefferson Campos (PSD-SP)
  45. João Carlos Bacelar (PR-BA)
  46. João Leão (PP-BA)
  47. João Lyra (PSD-AL)
  48. João Pizzolatti (PP-SC)
  49. Joaquim Beltrão (PMDB-AL)
  50. Jorge Boeira (PSD-SC)
  51. Jorge Corte Real (PTB-PE)
  52. José Carlos Araújo (PSD-BA)
  53. José Chaves (PTB-PE)
  54. José Linhares (PP-CE)
  55. José Otávio Germano (PP-RS)
  56. José Priante (PMDB-PA)
  57. José Rocha (PR-BA)
  58. José Stédile (PSB-RS)
  59. Josué Bengtson (PTB-PA)
  60. Júlio César (PSD-PI)
  61. Junji Abe (PSD-SP)
  62. Lael Varella (DEM-MG)
  63. Laércio Oliveira (PR-SE)
  64. Lauriete (PSC-ES)
  65. Luciano Castro (PR-RR)
  66. Lúcio Vale (PR-PA)
  67. Luiz Tibé (PTdoB-MG)
  68. Luiz Carlos (PSDB-AP)
  69. Luiz Nishimori (PSDB-PR)
  70. Magda Mofatto (PTB-GO)
  71. Mandetta (DEM-MS)
  72. Manoel Júnior (PMDB-PB)
  73. Manoel Salviano (PSD-CE)
  74. Marçal Filho (PMDB-MS)
  75. Marcelo Aguiar (PSD-SP)
  76. Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG)
  77. Marco Maia (PT-RS)
  78. Mário de Oliveira (PSC-MG)
  79. Mauro Benevides (PMDB-CE)
  80. Mauro Mariani (PMDB-SC)
  81. Natan Donadon (PMDB-RO)
  82. Nelson Marquezelli (PTB-SP)
  83. Nelson Meurer (PP-PR)
  84. Nice Lobão (PSD-MA)
  85. Nilton Capixaba (PTB-RO)
  86. Otoniel Lima (PRB-SP)
  87. Paes Landim (PTB-PI)
  88. Paulo Magalhães (PSD-BA)
  89. Paulo Maluf (PP-SP)
  90. Pedro Henry (PP-MT)
  91. Penna (PV-SP)
  92. Rebecca Garcia (PP-AM)
  93. Roberto Balestra (PP-GO)
  94. Roberto Britto (PP-BA)
  95. Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC)
  96. Ronaldo Nogueira (PTB-RS)
  97. Rosinha Da Adefal (PTdoB-AL)
  98. Sandro Alex (PPS-PR)
  99. Saraiva Felipe (PMDB-MG)
  100. Sebastião Bala Rocha (PDT-AP)
  101. Sérgio Moraes (PTB-RS)
  102. Silas Câmara (PSD-AM)
  103. Simão Sessim (PP-RJ)
  104. Taumaturgo Lima (PT-AC)
  105. Toninho Pinheiro (PP-MG)
  106. Valdemar Costa Neto (PR-SP)
  107. Vicente Arruda (PR-CE)
  108. Vilson Covatti (PP-RS)
  109. Vinicius Gurgel (PR-AP)
  110. Vitor Paulo (PRB-RJ)
  111. Walter Tosta (PSD-MG)
  112. Wellington Fagundes (PR-MT)
  113. Wladimir Costa (PMDB-PA)
  114. Zé Silva (PDT-MG)
  115. Zé Vieira (PR-MA)
  116. Zeca Dirceu (PT-PR)
  117. Zequinha Marinho (PSC-PA)

Malfeitos, mal feitos e bem feitos

  • Há ocasiões em que alguém parece estar falando em nosso nome. Outras vezes, há quem escreva aquilo que você gostaria até de ter escrito no lugar do auto das palavras e de ter exposto o mesmo assunto e da mesma forma. É o que acontece com o artigo do jornalista Nelson Motta com o título acima e publicado na edição de hoje de 'O Globo'. Por tudo o que está acontecendo nos meios políticos e ainda mais pelo que está para a acontecer, vale a pena ler:
Ao contrário de Lula, a oratória não está entre as qualidades da presidente Dilma. Suas dificuldades de expressão prejudicam a comunicação de suas ideias, planos e ações ao público. Não que a oratória seja uma qualidade em si, grandes canalhas e farsantes, como políticos palanqueiros e advogados safados, são os que melhor a usam com os piores objetivos. É como dizia o grande psicanalista e poeta mineiro Hélio Pellegrino (1924-1988), um dos fundadores do PT: a inteligência voltada para o mal é pior do que a burrice. Mas a avassaladora popularidade da presidente comprova que os brasileiros estão aprendendo a entender o intrincado dilmês.

Não se sabe se foi por falta de melhor expressão, se por imprecisão vocabular, ou se foi uma escolha consciente e bem pensada da presidente e do marqueteiro João Santana, mas a palavra "malfeito" se tornou uma marca de sucesso do governo Dilma. Mais leve, flexível e genérica do que corrupção, ladroeira, gatunagem, banditismo, falcatrua, rapinagem, maracutaia, que poderiam ser associadas ao governo anterior, onde se originaram muitos malfeitos ora condenados, serve na medida para a presidente designar qualquer coisa entre a incompetência, a lambança, o erro técnico, o tráfico de influência, a fraude, o suborno e o roubo de dinheiro público.


Projetos mal feitos não ficam de pé, mas não são necessariamente corruptos, embora com boas chances de sê-lo, se feitos em algum órgão público. O mensalão é um malfeito ou foi apenas mal feito, porque foi descoberto? E os aloprados, foram pilhados porque fizeram mal um malfeito? E os malfeitos de Durval Barbosa, não foram bem feitos? Arruda e Cachoeira foram para a cadeia? Bem feito! Receber por palestras que não foram dadas é um malfeito ou só um não feito?


Saudada por Hillary Clinton como exemplo global de luta pela transparência e contra a corrupção, Dilma respondeu que "quanto maior a transparência e os canais de interação, mais justa e forte a democracia", enquanto ecoava na memória nacional o histórico aforismo de seu correligionário Delúbio Soares: "Transparência demais é burrice".

19 de abril de 2012

Lula e Sarney montam 'QG do Sírio' para blindar o Governo na CPMI

Está com medo da CPMI, Lula?
  • Vamos tentar entender. O Hospital Sírio-Libanês em São Paulo transformou-se mesmo em um escritório político? Ultimamente tem sido o ponto de encontros do ex-presidente Lula com políticos, principalmente do PT e de partidos da 'base aliada' da presidente Dilma Rousseff no Congresso. E esses encontros não são reservados, pois há sempre um fotógrafo de plantão para registrar os encontros e as fotos que saem estampadas em vários jornais trazem como crédito a expressão 'Divulgação', tonando-as oficiais de algum órgão. Os encontros de Lula começaram quando ele se internou naquele hospital para tratamento de um câncer na laringe e continuaram acontecendo 'coincidentemente' nas sessões de quimioterapia e de radioterapia, e agora ocorrem por ocasião das sessões de fonoaudiologia a que o ex-presidente continua sendo submetido;
  • E Lula agora não está mais sozinho nesse estranho 'escritório', pois ganhou a companhia do senador José Sarney (PMDB-AP), que está internado no Sírio-Libanês após uma angioplastia que teve que fazer para desobistuir uma artéria que poderia lhe provocar um infarto. Os dois ex-presidente da República estão se utilizando do local para estabelecer estratégias que evitem tanto quanto possível que ocorram impactos na Governo por conta do andamento da CPMI do Cachoeira. Incentivada por Lula na tentativa de atingir somente o governador Marconi Perillo (PSDB-GO), seu desafeto político, a comissão está sendo formalizada, com adesão de assinaturas em número recorde, e já começa a espalhas alguns 'estilhaços' em governistas, como é o caso do governador de Brasília, Agnelo Queiroz, que é do PT, mesmo antes de ter os nomes daqueles que ião compor a CPMI;
  • A imprensa mostra que Lula e Sarney  receberam ontem, no Sírio-Libanês, um grupo de integrantes do PMDB - lá estiveram o vice-presidente da República, Michel Temer, o presidente do PMDB; Valdir Raupp; o líder do partido na Câmara Henrique Alves; e o ministro da Previdência, Garibaldo Alves -, que receberam orientação para evitar que a CPMI se concentre em apurar as ligações do senado Demóstenes Torres com Carlinhos Cachoeira, além de Marconi Perillo. Na segunda-feira, Lula e Sarney receberam os líderes Renan Calheiros (do PMDB no Senado: Gim Argelo (do PTB no Senado); e Arlingo Chinaglia (do Governo na Câmara), além do ex-líder Cândido Vaccarezza. Todos receberam orientação para usarem o 'rolo compressor' na maioria que compõem, para impedir a apeovação de 'requerimentos inconvenientes' que certamente serão apresentados pela oposição, que tudo fará para fazer a CPMI chegar no ex-ministro José Dirceu e no ex-presidente Lula;
  • Em sua orientação aos integrantes da 'base aliada' com os quais se reuniu na Sírio-Libanês, Lula chegou a recomendaar: "Temos que usar a maioia para evitar o que fo inconveniente. Vocês têm que unir gente de confiança nos postos-chave, e não podem deixar que a CPI desvie o foco e contamine a área do Governo". Daí se vê que existe algum temor, pois a cada dia surgem gravações que aproximam Carlinhos Cachoeira de membros do Governo, chegando bem perto dos participantes do Mensalão do PT, algo que Lula e o presidente nacional partido, Rui Falcão, chamam de farsa. Portanto, cabe ao pessoal do 'QG do Sírio' explicar à opinião do que têm tanto medo, deixando de lado o antigo ditado de que 'quem não deve não teme'.

18 de abril de 2012

CPMI do Cachoeira não vai travar julgamento do Mensalão PT

  • Pelo que se vê, os próximos dias serão de temperatura elevada nos meios políticos do País, a partir da formalização da CPMI do Cachoeira, juntamente com o possível julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dos indiciados como implicados no Mensalão do PT. Para a instalação da CPMI sobraram assinaturas de Deputados e senadores, com cerca de três vezes mais que as necessárias para que a comissão vá adiante. Enquanto isso, um instalou-se um clima marcado por trocas veladas de acusações e cobranças tomou conta do Supremo por causa do julgamento do Mensalão. Pouca gente tomou conhecimento, mas semana passada aconteceu uma clara demonstração da existência dessa crise, quando o ministro Ricardo Lewandowski bateu boca com o ministro Gilmar Mendes no intervalo de uma sessão, incomodado de ser cobrado pelo colega nas páginas dos jornais. À espera do julgamento, alguns ministros do STF cobram publicamente de Lewandowski a liberação em algumas semanas do processo do Mensalão, temendo que o julgamento tenha de ser adiado para 2013, caso não aconteça até o final de junho. A preocupação está na composição desfalcada do Tribunal, com Cezar Peluso se aposentando até o fim de agosto, além das eleições em outubro, fatos que poderiam adiar a conclusão do caso para o ano que vem;
  • Alguns ministros do Supremo dizem ser possível julgar o caso a partir de agosto, mesmo que para isso o ritmo do julgamento tenha de ser reduzido, já que seis ministros do STF terão de se dividir entre o Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, perguntam a razão da pressa em julgar um processo específico quando há centenas de casos, inclusive inquéritos e ações penais, esperando julgamento. "Esse é um processo igual aos outros", afirma, por exemplo, o ministro Marco Aurélio Mello. Ainda nesse ambiente de suspeitas, existem ministros questionando a postura do próximo presidente do STF, Carlos Ayres Britto, com três deles demonstrando insatisfação com o que classificam de interferência no gabinete de seus colegas, com um deles afirmando que o ministro Carlos Britto, ao propor o julgamento durante o recesso de julho, quer uma sobrevida à sua curta gestão, pois se aposenta em novembro e só terá seis meses de gestão com o tribunal em funcionamento;
  • Mas o ponto principal dessa discussão está no risco de prescrição dos crimes, com parte dos ministros afirmando que a eventual demora de Lewandowski poderia levar à prescrição de algumas penas. Outros ministros afirmam que o risco não existe e que a ameaça é falsa e usada simplesmente para pressionar a Corte. O ministo Lewandowski, por exemplo, afirma que a prescrição só ocorreria em 2015. Conforme alguns ministros, quem for condenado a penas baixas pelo crime de quadrilha, inferiores a dois anos, a prescrição teria ocorrido no ano passado.Seja como for, por mais que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, seguindo pensamento de Lula queira vincular a CPMI do Cachoeira à revelação da 'farsa do Mensalão', parece que sua teoria não vai prevalecer, pois a maioria dos ministros do Supremo deseja acabar logo com esse assunto que se arrasta há cerca de sete anos. Que julguem mesmo, é o que a sociedade espera.

17 de abril de 2012

CPMI: 'Base aliada' vai tentar executar 'operação abafa'

Quem se habilita?
  • Está em andamento no Congresso uma “operação abafa” na CPMI do Cachoeira, a ser instalada nos próximos dias. Trata-se de uma das estratégias para poupar políticos de diversos partidos que foram citados na Operação Monte Carlo da Polícia Federal. O alerta partiu do Palácio do Planalto em face dos riscos de desgaste que poderão resvalar no Governo. O plano consiste em deixar de fora os deputados flagrados em escutas de conversas deles com integrantes do esquema de Carlinhos Cachoeira. São os casos dos governadores Agnelo Queiroz (PT-DF) e Marconi Perillo (PSDB-GO), além do ex-ministro José Dirceu, em face da ideia da oposição em trazer para a CPMI o caso de Cachoeira pagando propina a Waldomiro Diz, na época auxiliar direto do então todo-poderoso chefe da Casa Civil do ex-presidente Lula. Sobraria apenas o senador Demóstenes Torres, que teve cerca de 300 conversas telefônicas com Cachoeira grampeadas pela PF nos últimos três anos;
  • A “operação abafa” resulta da pressão da presidente Dilma Rousseff para que setores do PT defensores da CPI do Cachoeira tenham calma e não usem a comissão como palco de vingança, o que poderia causar danos políticos ao Governo. A posição não muito ostensiva de Dilma surgiu depois que ela conversou com Lula sobre a CPMI na última sexta-feira, em São Paulo. O esquema que está sendo montado no Congresso objetiva salvar os políticos, tentando fazer com que a CPMI se concentre em investigar Carlinhos Cachoeira e os empresários mais citados nos grampos da Polícia Federal, como Fernando Cavendish, dono da Delta Construções S.A. e Cláudio Abreu, representante da empresa no Centro-Oeste.Seriam poupados os tucanos Carlos Alberto Leréia (GO), que admitiu ser mesmo amigo de Cachoeira e saber que ele estava envolvido com o jogo ilegal, e Leonardo Vilela (GO), pré-candidato à prefeitura de Goiânia. Também ficariam de fora Jovair Arantes (GO), líder do PTB na Câmara, Sandes Júnior (PP-GO), Rubens Otoni (PT-GO), gravado em vídeo negociando financiamento de campanha com o empresário preso, e Stepan Nercessian (PPS-RJ), que tomou um empréstimo de R$ 175 mil do contraventor, todos citados nas gravações;
  • Enquanto isso, o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), afirmou ter a certeza de que o Governo usará sua imensa maioria na CPMI para impedir investigações mais profundas. Dos 30 titulares da CPI, os partidos de oposição vão nomear apenas 6, enquanto caberá ao Governo preencher as outras 24 vagas. Assim que for criada a CPMI, os partidos terão 48 horas para indicar os nomes que integrarão a comissão - 15 deputados e 15 senadores, distribuídos entre os partidos de forma proporcional ao tamanho das bancadas. A presidência será ocupada por um senador do PMDB, provavelmente o peemedebista Vital do Rego (PB), e o relator será um deputado do PT, para a qual está contado o petista Cândido Vacca rezza (SP);
  • O presidente do Conselho de Ética do Senado, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), e os senadores Vital do Rego (PMDB-PB) e Humberto Costa (PT-PE) encontram-se nesta terça-feira, 17, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, para pedir acesso ao inquérito que apura as relações de Cachoeira com políticos. A investigação está sob sigilo. De posse dos autos do inquérito, a principal arma da 'base aliada' será arguir que não há o que se apurar, pois o STF já está fazendo isso. Aí, os riscos de respingos no Governo seriam afastados.

16 de abril de 2012

'Rio' da corrupção tem muita água e desemboca em Delta

  • A Delta Construções encheu seus cofres no ano passado com R$ 862 milhões e 400 mil em recursos federais que pagaram obras em 20 Estados. A empreitada que mais rendeu para a empresa foi a manutenção de trechos rodoviários da BR-174 no Amazonas: R$ 105 milhões. Obras em cinco estradas federais no Maranhão fizeram do Estado natal e reduto político de José Sarney e sua família o segundo em que a Delta mais faturou, com R$ 66 milhões e 770 mil. Os dados podem ser encontrados no Portal da Transparência, do Governo Federal. Não por coincidência, as obras ficaram concentradas principalmente em Estados hoje governados por PMDB e PSDB. Alvo certo da futura CPMI do Cachoeira, a Delta é a principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal carro-chefe da campanha que elegeu Dilma Rousseff, a construtora foi a maior recebedora de recursos do Governo Federal nos últimos três anos. E, segundo investigações da Polícia Federal, estaria articulada com Cachoeira para fraudar licitações em Goiás e no Distrito Federal;
  • Para deixar o Palácio do Planalto com o cabelo muito mais em pé, o contador de Carlinhos Cachoeira, sacou no ano eleitoral de 2010 R$ 8 milhões e 500 mil que saíram dos cofres da Delta. Geovani Pereira da Silva, único foragido da Operação Monte Carlo, segundo reportagem do jornal 'Folha de São Paulo', é apontado pela Polícia Federal como tesoureiro do esquema de Cachoeira e, de acordo com investigadores, seria o elo financeiro do grupo com políticos. Perícias em sigilo bancário feitas pela PF mostrariam que Geovani sacou os recursos de uma conta bancária em nome de uma empresa em Brasília chamada Alberto e Pantoja Construções e Transportes Ltda., que não existe no endereço declarado;
  • Outro fato que está fazendo a cúpula do Governo 'correr da sala para a cozinha e vice-versa' é a reportagem da Revista 'Isto É' desta semana trazendo a história do que a matéria chama de "principal articulador de uma ampla rede de gravações clandestinas que vem assombrando Brasília há pelo menos uma década", conforme aponta a Polícia Federal, um ex-sargento da Aeronáutica preso em uma unidade militar do DF, chamado de Dadá, e que, segundo a revista, teria montado "o maior esquema de espionagem da história recente do País", acrescentando que "ele serviu e ajudou a derrubar políticos influentes, como o ex-ministro José Dirceu. Teve participação ativa na gravação que revelou um esquema de corrupção e loteamento político nos Correios, que levou ao escândalo do Mensalão, e influiu na celebração de contratos públicos em diversos setores";
  • O procurador-geral da República Roberto Gurgel é um dos alvos mais desejados pelos parlamentares governistas excitados com a criação da CPI do Cachoeira. Eles planejam confrontar Gurgel com a suspeita de não tomar providências contra o jogo ilegal e o escândalo de corrupção revelado pela Operação Vega, da Polícia Federal, em 2007, com envolvimento de autoridades e até suposta compra de sentenças. Segundo dirigentes, PT também está ansioso para indagar de Gurgel, na CPI, por que não agiu quando soube que a investigação contra o contraventor Carlos Cachoeira havia “fisgado” o senador Demóstenes Torres (GO). Apesar das desconfianças petistas, Gurgel sempre garantiu que jamais deixou de cumprir suas obrigações;
  • Para dar mais dores de cabeça no Governo, os partidos de oposição preparam uma estratégia para levar o Mensalão do PT de volta à cena com a CPMI do Cachoeira. Entre os primeiros requerimentos, a oposição pretende pedir a convocação do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT) e de seu assessor à época, Waldomiro Diniz, que, em 2004, aparece pedindo propina a Cachoeira em troca de facilidades em contrato do consórcio representado pelo empresário com a Loteria do Rio de Janeiro. A gravação da conversa foi em 2002, quando Diniz presidia a Loterj. Essa ligação Cachoeira-Diniz será usada como elo para uma eventual convocação de Dirceu. O líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), tem repetido que o partido está pronto para o ataque. Já o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) suspeita da real intenção dos partidos em apurar a relações dos políticos com Cachoeira. "Estou começando a achar que PT e PSDB estão fazendo um acordo: você não investiga isso que eu não investigo aquilo", afirmou o senador. Então, é certo que virão por aí grandes emoções.

Pirataria é a mais recente novidade praticada no Senado Federal

  • A toda hora o Senado Federal tem sempre uma novidade comprovando que a antiga Casa Legislativa é hoje uma autêntica 'Casa de Mãe Joana'. A edição desata semana da revista semanal 'Época' traz reportagem com a notícia de que um ex-consultor legislativa, Edward Pinto da Silva, está movendo ação de indenização contra o Senado, de R$ 13 milhões e 200 mil, pelo fato de 13 senadores terem usado a gráfica daquela Casa para reeditar o Manual do Vereador, de sua autoria, escrito em 1982, com 250 páginas, que servem de orientação aos vereadores em relação às suas atividades nas câmaras municipais. A razão da ação o ex-consultor está no fato de que nada menos que 13 'excelências' se utilizaram das impressoras do Senado para reimprimirem o manual, porém colocando seus nomes em vez do real autor, como se autores fossem da obra de Edward Pinto. Praticaram nada menos que a mais deslavada pirataria;
  • A matéria destaca que entre 2001 e 2009 foram impressas nada menos que 132 mil cópias não autorizadas pelo autor. O 'campeão' da pirataria é o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), um dos componentes da CPMI - ele é um dos que vão investigar as ligações do 'emrpesário da corrupção' Carlinhos Cachoeira com o senador Demóstenes Torres -, que fez 10 mil cópias do livro, aparecendo na capa com se autor fosse do manual. Numa página interna, aparece um busto de Renan e na apresentação ele afirma tratar-se de "uma modesta contribuição deste senador". Além do senado alagoano, também são 'autores' da obras os senadores Osmar Dias (PDT-PR), Epitácio Cafeteira (PTB-MA), Heráclito Fortes (DEM-PI), José Agripino (DEM-RN), Leomar Quintanilha (PMDB-TO),Lúcia Vânia (PSDB-GO),Maguito Vilela (PMDB-GO), Mário Couto (PSBD-PA), Paulo Paim (PT-SP),Sérgio Zambiasi (PTB-RS), Tião Viana (PT-AC) e Valdir Raupp (PMDB-RO);
  • Se não bastasse a prática de plágio por parte dos senadores citados, há ainda o agravante de que praticaram o 'malfeito' às custas do contribuinte/eleitor, uma vez que utilizaram a gráfica do Senado, cujo maquinário, papel e tinta são custeados com dinheiro proveniente de impostos, ou seja, dinheiro público. Mais uma se comprova a inutilidade do Senado, que um dia foi um reduto de renomados políticos brasileiros, nomes do mais alto conceito junto à sociedade brasileira. Ultimamente, a casa presidida por José Sarney (PMDB-AP) tem se destacado muito mais é na constante descoberta de 'malfeitos praticados por senadores tanto da situação como da oposição, comprovando cada vez mais sua total inutilidade.

15 de abril de 2012

Dilma está preocupada com possíveis prejuízos políticos da CPMI

  • A presidente Dilma Rousseff está bastante preocupada, achando que a CPMI do Cachoeira só interessa à oposição. O temor dela é que durante os trabalhos da comissão as votações de matérias importantes no Congresso fiquem paralisadas, além dos respingos que poderão acontecer em integrantes da 'base aliada'. Para não ter surpresas desagradáveis, a cúpula do PMDB tenta convencer o ex-líder do Governo no Senado, Romero Jucá (RO), para que assuma a presidência da CPMI, graças à sua experiência da CPI da Petrobras, que foi conduzida sem sobressaltos para o Planalto. O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), ex-líder do Governo na Câmara, está cotado para ser o relator, e a indicação de Jucá representaria reconhecimento ao trabalho dois dois como líderes que foram afastados das funções de um modo não muito agradável para ambos;
  • O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE), Vital do Rego (PB) e Lobão Filho (MA) podem ser os demais nomes do partido na CPMI. Com isso, o PMDB poderá se representar, na CPMI do Cachoeira, por uma bancada de parlamentares experientes, não dando chances à oposição de tirar algum proveito das investigações de fatos que possam prejudicar possíveis candidatos da 'base aliada' nas eleições municipais deste ano, nas quais o PT e o PMDB pretendem estabelecer ampla maioria de prefeitos a vereadores, já com vistas às eleições de 2014, quando pretendem continuar no Poder, dentro do projeto de comandar o País por pelo menos 20 anos.

14 de abril de 2012

A CPMI é mesmo séria? Collor e Renan Calheiros fazem parte dela

O conceito dos políticos anda muito baixo
  • Começa a se configurar que a CPMI que vai investigar as ligações do 'empresário da contravenção' Carlinhos Cachoeira não mesmo para ser levada a sério. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, já disse que ela servirá para demonstrar que o Mensalão do PT é uma farsa, assunto já amplamente debatido. Agora aparece mia uma demonstração da seriedade da CPMI. O líder da bancada do PTB, senador Gim Argello (DF), já definiu o senador Fernando Collor (AL) como um dos dois representantes do partido na CPMI do Cachoeira. Da pate do PMDB já vem também uma 'excelente' colaboração, que a indicação do senador Renan Calheiros (AL), como um dos integrantes da CPMI. Para comprova a 'seriedade' dessa duas indicações, é bom lembrar que ambos foram investigados em CPIs anteriores. A história de Collor todos ainda se lembram e Renan esteve envolvido com a utilização de recursos públicos paraa pagar despesas de uma amante sua;
  • A formação da CPMI também está servindo para resolver problemas internos de partidos. A prova é que o nome preferido de todos os líderes da 'base aliada' para assumir a função de relator da CPMI do Cachoeira é o do deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), ex-líder do governo na Câmara. Os colegas o consideram injustiçado no episódio em que a presidente Dilma Rousseff trocou os líderes do Governo na Câmara e no Senado. Os aliados do Governo acham que Vaccarezza só não será o relator se não quiser. Um sinal de que ele poderá aceitar a relatoria é que ele visitará Lula segunda-feira, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, o novo 'escritório político' de Lula, quando certamente conversarão sobre sua indicação para a relatoria da CPMI;
  • A presidente Dilma  se reuniu nesta sexta-feira com o ex-presidente Lula, num encontro que durou quase três horas, na sede do Banco do Brasil (BB), na Avenida Paulista, onde fica o escritório da Presidência da República em São Paulo. O que conversaram não foi divulgado, mas há rumores dando conta de que eles conversaram sobre as negociações de Dilma com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mas é certo que a formação da CPMI do Cachoeira esteve no centro das conversas. Dilma não queria a CPMI, ao contrário de Lula, que estimulou a sua formação durante a ausência de Dilma, que estava no exterior. A amplitude das investigações poderão atingir gente da 'base aliadaa' e em especial do próprio PT, como é o caso do governado de Brasília, Agnelo Queiroz, que já está sendo deixando 'segurando a broxa', enquanto lhe retiram a escada de sustentação política. As cerca de 70 gravações estão provocando seu abandono por parte da cúpula de seu partido;
  • Outra preocupação do Governo está nas suspeitas de negócios escusos praticados com a interferência da empresa Delta, responsável por mais de R$ 4 bilhões das obras do PAC. Alguns 'malfeitos' podem surgir durante o funcionamento da CPMI, o que não seria nada bom num ano eleitoral, no qual o PT pretende eleger uma vasta maioria de prefeitos e vereadores, reforçando-se para as eleições de 2014. O governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), também teme que a CPMI possa provocar danos à sua imagem, tendo em vista sua amizade com o dono da Delta, Fernando Cavendish, mesmo não constando doação da empreiteira à sua campanha para governador, sobrando apenas aquela sua viagem em aeronave do empresário e principalmente em relação à morte da namorada um filho de Cabral. Por sua vez, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), acertou  com parlamentares tucanos que o partido vai focar o escândalo do mensalão, pois quer evitar que CPMI de Cachoeira desvie as atenções do julgamento de José Dirceu & Cia. entre outras coisas por formação de quadrilha;
  • Portanto, tudo indica que o tempo político vai esquentar nos próximos dias. Os governistas têm maioria e sempre que necessário utilizarão seu 'rolo compressor', mas os oposicionistas vão aproveitar os holofotes para não deixar os fatos que compliquem a vida do Governo e do PT passem em branco. As reuniões da CPMI certamente darão muita audiência e serão assunto no dia a dia das discussões políticas.