- Muitas vezes pessoas que sequer conhecemos falam ou escrevem coisas
sobre as quais nós também falaríamos ou escreveríamos. Volta e meia encontramos
cartas de leitores publicadas em jornais com as quais concordamos inteiramente,
como é o caso da que hoje está publicada na seção ‘Dos Leitores’, do jornal
carioca ‘O Globo’, expondo a opinião da leitora Maria Lúcia de Souza Gutierrez,
do Rio: “O governo vive a assinar papéis em prol de benesses populistas.
Convoca a mídia, sorri nas fotos e, enfim, mais um olhar para os
desafortunados. Isso feito, lavam-se as mãos. Mas, e o ato contínuo? Quem é que
coordena os próximos passos? Ninguém sabe. O que se sabe é que tais benesses seguem
sempre o mesmo caminho: são alvo de fraudes, irregularidades, desvios de
dinheiro público, disse me disse, acusações, negações e, enfim, nada”.
Complementando, a leitora enfatiza: “Aconteceu com o Bolsa Família, o
PAC, o Enem, e, agora, com o Minha Casa Minha Vida, só para resumir. E, ainda,
temos réus petistas, já condenados, mas que, frutos da lentidão de uma justiça
“à brasileira”, seguem acobertados pelos recursos do partido e, para surpresa
geral, exercendo, sem cerimônia, suas antigas funções. A sociedade reclama o
desdobramento disso. Quem vai ser preso, devolver o dinheiro ou ficar
desempregado? Pode ser? Estaremos sempre aguardando o dia seguinte? Estamos
impacientes. Queremos o final do filme”;
- O mesmo tema também é abordado por ou leitor da mesma edição do jornal.
José Luiz Villas-Bom, do Rio, que aborda as recentes notícias sobre fraudes no
programa Minha Casa Minha Vida denunciadas pela mídia nos últimos dias. Ele
diz: “O programa Minha Casa Minha Vida nunca foi bem das pernas. Ora não
chegando sequer a 10% do projetado/entregue, ora colocando moradias sem
infraestrutura e que se desmoronam a cada enxurrada. Enfim, rios de dinheiro
sempre escoaram pelas mãos dos aloprados. A somar, o escândalo envolvendo ex-funcionário
do Ministério das cidades, uma tal consultoria RCA e senhas da Secretaria
Nacional de Habitação. Engrenagem afiada, tal qual no mensalão. Inquéritos e
sindicâncias para quê? Sabem todos como funciona. Por que não punir
exemplarmente desde o peixe grande? E ainda anunciam novas moradas com
cerâmica?”;
- Os dois leitores citados foram bem claros nas suas reclamações. Na
verdade já passa do tempo de as autoridades tomarem enérgicas providências para
acabar com esse monstruoso escoadouro de dinheiro público, algo que proporciona
duplo prejuízo, pois se de um lado há o roubo do dinheiro proveniente de
impostos pagos pelos cidadãos que devem receber de volta benefícios
principalmente nas áreas de Educação, Saúde e Segurança, por outro lado, há
também o prejuízo daqueles a quem se destinam os projetos não concluídos – ou
mesmo os pessimamente acabados –, como é o caso do Minha Casa Minha Vida, cujo
maior exemplo está nos imóveis construídos em Niterói (RJ) para as vítimas das
chuvas no Morro do Bumba, que tiveram que ser demolidos por causa da
impossibilidade se serem habitados, com o agravante de que outros imóveis do
mesmo conjunto estariam nas mesmas condições;
- Esses fatos precisam acabar o quanto antes. Se fazem parte de uma
política de governo para beneficiar ‘companheiros’, cabe então aos eleitores
dar um fim nisso mandando para casa, nas eleições do ano que vem, os atuais
praticantes desse tipo de ‘malfeito’, a começar por quem os nomeia.
- A campanha
eleitoral para a sucessão da presidente Dilma está a pleno vapor. Segundo
alguns cientistas políticos a deflagração do processo foi precipitada por
vários motivos, sendo um deles para que o eleitorado não tivesse dúvidas de que
a atual presidente quer a reeleição e também para que alguns petistas
'baixassem a bola' do movimento que desejava ter Lula como candidato. Por força
disso, outros nomes também foram jogados na mídia, muito embora alguns deles
digam que não estão em campanha e até que não são candidatos, numa espécie de
'me engana, que eu gosto', pois estão realmente em plena campanha;
- A campanha da presidente Dilma está bastante evidente, pois ela está viajando
muito mais do que de costume, em muitos lugares acompanhada do ex-presidente Lula,
cujo discurso é sempre voltado para comparações entre os governos do PT com o
de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, isto porque os tucanos são adversários
naturais dos petistas, que também não confirmam, mas o senador Aécio Neves
(PSDB-MG) também está andando pelo Brasil inteiro,além de tentar amansar a
reação do paulista José Serra, que pretende voltar a disputar uma vaga no
Palácio do Planalto. Outros dois pré candidatos são o governador de Pernambuco,
Eduardo Campos, do PSB, e Marina Silva, que está criando um novo partido, a
Rede;
-
Para evitar que surjam forças de grupos políticos que possam criar dificuldades
para a candidata Dilma, aconteceu a votação do projeto de lei que restringe o
acesso ao Fundo Partidário e do tempo de
rádio e TV para novos partidos. Um requerimento de urgência para votação da
proposta, apresentada pelo deputado Edinho Araújo (PMDB-SP), foi aprovado ontem
pela Câmara. O projeto deve ser votado no início desta tarde pelos deputados.
Esse projeto tem por objetivo criar embaraços para dois possíveis fortes
candidatos, Eduardo Campos e Marina Silva, pois um novo partido, a Mobilização
Democrática (MD) apoiaria o pernambucano a Rede já tem sua candidata;
-
Para garantir o repasse do Fundo Partidário e tempo no horário eleitoral
gratuito, o PPS e do PMN aprovaram, nesta quarta-feira, a fusão dos dois
partidos e dessa união nascerá a MD, reunindo, de início, 13 deputados
federais, 58 deputados estaduais, 147 prefeitos e 2.527 vereadores. O novo
partido promete fazer oposição ao Governo Federal. As direções dos dois
partidos se reúnem ainda hoje, em Brasília, para confirmar a fusão e votar o
novo estatuto partidário, que será registrado no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE). A união entre as duas siglas foi aprovada, primeiro, pelo PMN, nessa
madrugada. Depois foi a vez do PPS, que aprovou a fusão nesta manhã, por 62
votos a dois, durante congresso extraordinário. Em todo o país, os dois
partidos somam 683.420 filiados;
- Alguns deputados, como Alfredo Sirkis (PV-RJ) e Walter Feldman (PSDB-SP),
alegam que o objetivo do projeto é inviabilizar o projeto político da
ex-ministra Marina Silva, que colhe assinaturas para a criação de um novo
partido, que deve se chamar Rede. Aliados de Marina, Sirkis e Feldman são nomes
certos para a nova legenda da ex-candidata à Presidência da República, que
obteve mais de 20 milhões de votos em 2010. De acordo com as leis que regulam
os partidos políticos e estabelecem normas para as eleições (9.096/95 e
9.504/97), as verbas do Fundo Partidário são distribuídas da seguinte forma: 5%
para todos os partidos com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e 95%
para os partidos com representação na Câmara, na proporção de seus votos. Já o
horário eleitoral gratuito tem a seguinte divisão: 1/3 para todos os partidos e
2/3 para aqueles com deputados federais, ainda na mesma proporção dos
parlamentares eleitos;
- Pela proposta, não deverão ser consideradas quaisquer
mudanças de filiação partidária entre os deputados para o cálculo dessas cotas.
Ou seja, caso os parlamentares resolvam mudar de partido depois das eleições,
seja a legenda já existente ou não, a distribuição inicial do Fundo Partidário
e do horário eleitoral será mantida. Os partidos da 'base aliada' procuram por
todos os meios inviabilizar a candidatura de Marina, que obteve expressiva
votação em 2010, além de não aumentar a possibilidade de aumento de tempo na TV
para Eduardo Paes com o apoio que receberia do MD. O tempo dirá se tudo isso
valeu a pena, pois além dessas jogas Dilma também tem que prestar atenção à
possibilidade de aumento considerável da inflação e queda no crescimento, pois
sérios 'cabos eleitorais' para os candidatos oposicionistas.
- Muito se tem
falado em especial nas redes sociais, com fotos, montagens, charges e
comentários sobre o que se tem gastado de recursos públicos com a Copa do Mundo/2014
e os Jogos Olímpicos/2016. Há quem defenda que os mesmos deveriam ser
cancelados porque o Brasil tem outras prioridades. Quando se confirmou que o
Brasil faria a Copa e foi escolhido para sediar a Olimpíada, os aplausos foram
gerais e a euforia tomou conta de grande maioria da população. Com a
mentalidade dos nossos políticos, que foi adotada pelo PT, que nas campanhas de
Lula dizia que seria um partido diferente no Poder, só poderia acontecer o que
hoje assistimos, que é uma infinidade de obras superfaturadas como valores
muito superiores aos previstos na época em que capa projeto foi aprovado;
- No entanto, temos
que convir o Brasil abrir mão e promover o cancelamento de qualquer um dos dois
eventos seria como uma ‘emenda pior do que o soneto’. Além do lado imensamente
negativo, de repercussão internacional sem precedentes, outros aspectos hão que
ser considerados. E o que já foi gasto até agora, que retorno haveria? E os
contratos em vigor, certamente com cláusulas que se descumpridas provocariam
muitas vultosos, ou sejam, mas gastos;
- De qualquer
forma, ainda é tempo para que se estanque esse vazadouro de dinheiro. Não dá
mais para voltar atrás. Também é preciso que a sociedade cobre dos
responsáveis, na forma da lei, os ‘malfeitos’ praticados na construção ou
reforma de cada estádio, de modo que sejam responsabilizados todos aqueles que se
beneficiaram do dinheiro do povo, que é sempre quem paga a conta quando os
cofres públicos são ‘assaltados’, como diariamente a imprensa noticia.
- Há algum
tempo o correspondente no Brasil do jornal espanhol “El País’, Juan Arias,
chamou a atenção para o fato de que as passeatas do orgulho gay e as marchas
dos evangélicos levavam milhões de pessoas ás ruas, mas poucos se dispunham a
fazer manifestações contra a corrupção, principalmente aquelas que beneficiavam
agentes públicos. No dia 11/7/2011 fizemos uma postagem sobre o assunto (Leia aqui). É mesmo de espantar essa falta de disposição de o povo reagir
contra o verdadeiro deboche que os políticos vêm praticando contra a população,
em especial os integrantes da malfadada ‘base aliada’ do Governo no Congresso
Nacional. Sob a justificativa de se garantir a governabilidade, os mais improváveis
acordos são firmados;
- Mas por trás
dessa ‘governabilidade’ estão acordos com vistas ao palanque da eleição do ano
que vem. Quando se fala em palanque, o objetivo maior é a soma de tempo no
horário obrigatório de propaganda no rádio e principalmente na TV. Há alguns
anos, a tal propaganda ‘gratuita’ era a hora de se desligar a televisão, pois
ninguém suportava aquela série de figuras aparecendo em sua casa pedindo votos
e fazendo promessas que nunca seriam cumpridas, como até hoje acontece. Atualmente,
com o reconhecido trabalho dos marqueteiros, o tempo de exposição principalmente
na TV é agora considerado fundamental para a campanha eleitoral;
- Por causa
disso e pensando em especial na reeleição da presidente Dilma, os partidos da ‘base
aliada’ praticam um verdadeiro deboche, pouco ‘se lixando’ para o eleitorado: Renan
Calheiros e Henrique Alves são eleitos para as presidências do Senado e da
Câmara; Marco Feliciano é eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da
Câmara; Blairo Maggi também é eleito para a presidência da Comissão de Meio
Ambiente do Senado; os deputados condenados à prisão no processo do ‘Mensalão
do PT’, José Genoíno e João Paulo Cunha soa indicados pelo partido para
integrarem a Comissão de Justiça, a mais importante daquela Casa; e finalmente,
o deputado ‘ficha-suja’ Paulo Maluf também é indicado para a mesma comissão,
mesmo sendo procurado pela Interpol no mundo inteiro;
- Sabemos que
todos eles têm por principal missão impedir que seus companheiros sejam
atingidos por qualquer ato que tenha por objetivo sequer apurar ‘malfeitos’ por
eles praticados ou, então, para defesa de seus próprios interesses. A partir
daí vemos que há bastante possibilidade de ser aprovada a PEC que pretende
engessar o Ministério Público. Se aprovada a PEC, o MP ficará impedido de
investigar crimes que tenham sido cometidos por agentes públicos, ou sejam,
políticos e ocupantes de cargos por eles indicados;
- O povo não
se mobiliza para protestar contra essa série de fatos. Já é tempo de a
população reagir contra essa série de coisas. Para isso, já há uma data
marcada: 5 de outubro de 2014. Naquele dia é só digitar corretamente os números
dos candidatos que realmente o eleitor ser alguém que vai realmente para mudar
a imagem dos ocupantes dos cargos hoje tão mal ocupados. Nada de votar nulo,
porque só os atuais serão os beneficiados. Comece a pensar agora na mudança.
- O
Supremo Tribunal Federal (STF) mais uma vez está sendo focalizado pela
imprensa, desta vez por motivo até certo ponto esdrúxulo. É que um dos
réus do ‘Mensalão do PT’, o ex-ministro da Casa Civil no governo do
ex-presidente Lula e ex-deputado federal – que foi cassado por quebra do
decoro parlamentar – declarou em entrevista que o ministro do STF Luiz
Fux, quando era ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pleiteava
ser indicado para o Supremo o havia procurado e que lhe prometera votar
pela sua absolvição quando fosse julgar o processo do ‘Mensalão’. Se isso
foi verdade, vê-se que o ministro Fux quando fez a promessa não tinha
conhecimento integral do teor do processo e que a lê-lo firmou posição
pela condenação de Zé Dirceu;
- O
pronunciamento do antigo homem-forte do Governo Lula deixa uma
interrogação no ar. Os votos favoráveis à absolvição de Zé Dirceu dado
pelos ministros Ricardo Lewandowisk, Dias Toffoli, Carmem Lúcia e Rosa Weber
foram resultado do mesmo tipo de promessa? Afinal, eles foram indicados
por Lula e Dilma Rousseff. O comportamento dos dois primeiros durante o
julgamento fez com que muitos vissem neles verdadeiros ‘defensores
públicos’ do réu mais importante e de outros nomes de peso da PT;
- Por
fim, temos visto uma série de investidas dos advogados dos réus a poucos
dias da publicação do acórdão do processo do ‘Mensalão do PT’, todos
tentando fazer com que as condenações entrem em vigor, isso sem contar os
prazos que a própria legislação penal tem, que permitem o adiamento do
cumprimento de sentenças, como os muitos casos de réus condenados e que há
décadas nunca foram presos. Seja o que for, o que a opinião pública espera
é que Zé Dirceu e os demais condenados cumpram as condenações que
receberam, principalmente pelo fato do STF ter chegado à conclusão de que
eles ‘meteram a mão’ em dinheiro público para montar uma base aliada para
o Governo Lula no Congresso Nacional;
- De qualquer
forma, parabéns ao ministro Luiz Fux por ter ‘faltado com a palavra’ a
José Dirceu, que tem a condenação à prisão por dez anos e dez meses para
cumprir.