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12 de junho de 2012

Zé Dirceu imita Collor e chama jovens às ruas. Cuidado com eles, Zé!

Esse filme já foi visto no passado
  • Vamos procurar entender. O então deputado José Dirceu (PT-SP) teve seu mandato cassado pelo plenário da Câmara dos Deputados no dia 1º de dezembro de 2005. O ex-ministro da Casa Civil e homem forte do governo Lula, foi acusado de ser o chefe do Mensalão do PT, o que provocou a abertura de representação contra ele no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar. José Dirceu perdeu o mandato e teve os direitos políticos cassados por dez anos. Na ocasião ele disse que iria escrever um livro sobre sua atividade política. Dos 513 deputados, 495 participaram da votação, sendo que 293 optaram pela cassação, 192 votaram contra, havendo um voto em branco, um nulo, além de 8 abstenções. Convém observar que naquela oportunidade, com ou sem Mensalão, o Governo que ele comandava com Lula já dispunha de ampla maioria em sua 'base aliada';
  • Hoje, quando já se sabe a data do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do indiciamento de José Dirceu e mais 37 outros participantes do Mensalão do PT, entre outros 'malfeitos' por formação de quadrilha, o ex-ministro declara-se inocente, que seria julgado sem provas  e ainda acusando o que chama de monopólio dos meios de comunicação de já o estar condenando antecipadamente. Ora, se era inocente em 2005, por qual razão teve seu mandato cassado por 57% dos deputados? E se hoje é inocente, por que não esperar o julgamento do STF para provar que não teve participação na montagem do Mensalão? O ditado é antigo, mas é sempre atual: "Quem não deve, não teme";
  • Qual o motivo, então, de José Dirceu conclamar a Juventude Socialista do PCdoB e a União Nacional dos Estudantes (UNE) para ficarem 'vigilantes' e que saiam às ruas para defendê-lo naquilo que ele denomina como 'batalha final' e 'julgamento político'. Como assim? Têm medo do quê no julgamento do Mensalão? Algo parece apavorar os líderes do PT. Não fora isso, qual o motivo que levou Lula a tentar convencer o ministro Gilmar Mendes, do STF, a fazer gestões para o adiamento do julgamento para depois das eleições de outubro? Se não existiu Mensalão, como diz Lula, e se José Dirceu é inocente, como se proclama, essa é e melhor hora para o Supremo julgar todo mundo o quanto antes e que como todos os 38 absolvidos o PT possa ser o partido vitorioso nas eleições municipais deste ano;
  • Só um fato precisa ser lembrado; é bom que todos sejam mesmo desde já comprovadamente inocentes para que não se repita um fato ocorrido há cerca de 20 anos passados, quando um praticante de 'malfeitos' também conclamou a juventude para sair às ruas em sua defesa e foi amplamente atendido, mas só na saída dos jovens para as ruas, com suas caras pintadas, mas para pedir que o apelante fosse apeado do Poder, história que todos se lembram. Cuidado, portanto, José Dirceu, para o tiro não sair pela culatra.

11 de junho de 2012

'Você é branco? Cuide-se!'

  • Republico artigo com o título acima, de autoria do renomado professor Ives Gandra, emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado do Exército, e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Nele, Ives Gandra discorre sobre os critérios de cotas nas universidades brasileiras destinadas a índios, afrodescendentes, homossexuais e outros grupos que alegam sofrer restrições da sociedade. Leia a analise:
Hoje, tenho eu a impressão de que o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.

Os índios, que, pela Constituição (art. 231), só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também - passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 185 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele.. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.

Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.

Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências - algo que um cidadão comum jamais conseguiria!

Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio', porque cumpre a lei.

Desertores, assaltantes de bancos e assassinos
, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.

E são tantas as discriminações, que é de perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?


Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.
  • Para os que desconhecem, o inciso IV do Art. 3° da Constituição Federal a que se refere o Dr. Ives Gandra diz: "Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV - promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação". Assim, volta a ser atual, ou melhor nunca deixou de ser atual, a constatação do grande Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

10 de junho de 2012

Deputados também querem a adoção do Voto Aberto

  • "Deputados se unem a senadores e também pressionam pelo fim do voto secreto". Este é o título de matéria publicada hoje no site de 'O Globo' A reportagem informa que os deputados querem concluir a votação da PEC nº 349/2001 que acaba com o voto aberto que já aprovada em primeiro turno em setembro de 2006,em pleno escândalo do Mensalão do PT. Os deputados entendem que seria mais rápido aprovar em segundo turno aquela PEC e enviá-la ao Senado ao invés de aguardar o Senado aprovar as duas PEC colocadas em votação por Sarney para em seguida apreciá-las na Câmara. Segundo disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), estaria relutando em colocar a emenda em pauta: “Ele alega que é melhor refazer o texto para preservar o voto secreto para algumas situações, como apreciação de veto presidencial e eleição para a Mesa Diretora (da Câmara e do Senado)”;
  • É sabido que os parlamentares, em sua maioria, não querem que o voto aberto seja adotado, pois em algum momento a votação secreta poderá estar beneficiando algum deles que tenha cometido qualquer tipo de 'malfeito'. Mesmo assim, há forte pressão no Congresso para acabar com o voto secreto nas decisões do plenário, em especial nas votações de cassação de mandato. Por causa do processo de cassação do senador Demóstenes Torres, a Frente Parlamentar em Defesa do Voto Aberto passou a pressionar também o presidente da Câmara para que conclua a votação da PEC 349, pois sua tramitação está mais adiantada do que a da PEC que está na pauta do Senado para ser votada na próxima quarta-feira, após a pressão de um grupo de senadores sobre o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP);
  • Conforme estabelece a Constituição Federal, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) precisa ser votada em dois turnos nos plenários da Câmara e no Senado, e para ser aprovada são necessários os votos de pelo menos 308 deputados e 49 senadores. O primeiro grande desafio será conseguir quórum para um assunto de pouco interesse para grande parte dos congressistas. Além de fazer novo ato público, a Frente Parlamentar em Defesa do Voto Aberto levará o assunto para a reunião de líderes partidários, na próxima terça-feira. A PEC 349 estabelece a adoção do voto aberto para o Senado Federal, Câmara dos Deputados, além da Assembléia Distrital de Brasília e Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais de todo o País;
  • Embora o corporativismo certamente prevaleça entre os parlamentares, cabe à sociedade continuar pressionando para que o voto aberto seja imediatamente adotado. Casos como o Demóstenes Torres não podem mais ser jogados para 'debaixo do tapete' depois de tantas comprovações das evidências de 'malfeitos' cometidos pela antes 'arauto da moralidade pública e dos bons costumes políticos'. Repetimos sempre: o povo tem que ter o direito de saber como votam os seus representantes.

9 de junho de 2012

Por que Lula tem medo do julgamento do Mensalão do PT?

Lula insiste: Mensalão não existiu
  • Em 12 de agosto de 2005, o site 'UOL Notícias' informava que o então presidente Lula dizia se sentir traído e pedia desculpas à Nação pela descoberta do Mensalão do PT. A notícia dizia que Lula, em pronunciamento à nação com mais de três horas de atraso em relação ao inicialmente programado, se dizia traído e indignado pela grave crise política, afirmando: "Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis. Indignado pelas revelações que chocam o país, e sobre as quais eu não tinha qualquer conhecimento". Ele também pediu desculpas "ao povo brasileiro". Lula disse, naquela ocasião, que, se pudesse, já teria punido os culpados, mas que esse poder não está em suas mãos. Destacou o papel da Polícia Federal nas investigações e garantiu que afastará imediatamente os apontados por envolvimento. "Estamos investigando todas as denúncias. Ninguém será poupado", enfatizou;
  • Em certa ocasião, Lula afirmou que estava sempre em constante metamorfose. No caso do Mensalão, ele dá uma definitiva demonstração sobre suas mudanças. A partir de um determinado momento, Lula passou a chamar o Mensalão de uma farsa, dizendo mesmo que ele nunca existiu. Se assim fosse, em 1º de dezembro o site 'Folha Online' não informaria que o plenário da Câmara dos Deputados, com 293 votos a favor e 192 contra, tinha cassado o mandato do então deputado José Dirceu (PT-SP), ex-ministro da Casa Civil e um dos principais responsáveis pela campanha de Lula em 2002. José Dirceu era chamado por alguns rivais de 'primeiro-ministro' e era tido como o responsável por formar um 'rolo compressor' no Congresso Nacional para aprovar projetos de interesse do Executivo. Por que a cassação, mesmo tendo o Governo tão ampla 'base aliada'. Era uma prova de que o Mensalão na verdade existiu;
  • Agora, depois de sete anos, 38 denunciados e indiciados de terem participado do Mensalão irão ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles estão figuras de alto prestígio no PT, entre eles José Dirceu, que mesmo cassado em 2005 ainda dá as cartas no partido e, segundo dizem, também tem grande influência no atual Governo. E Lula talvez tenha se arrependido do pedido de desculpas feito em 2005. Não fora isso, não teria tentado convencer o ministro Gilmar Mendes para promover o adiamento do julgamento, agora com data marcada para iniciar. Se o Mensalão não existiu, qual a razão para tanto medo?

8 de junho de 2012

Declaração de dirigente petista sobre o STF foi muito estranha

  • Sabendo-se que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem a maioria de seus ministros indicados pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma Rousseff, ambos do PT, é de se estranhar que o Secretário Nacional de Comunicação do partido, deputado André Vargas (PR) tenha criticado a decisão do Supremo marcando o início do julgamento do Mensalão do PT para 1º de agosto, em plena campanha eleitoral. Segundo estimativa do ministro Carlos Ayres Britto, presidente do STF, até 4 de setembro todo o processo estará terminado, ou seja, na reta final da campanha para eleição de prefeitos e vereadores e todo o País;
  • André Vargas fez uma declaração que deixou muita gente sem entender o o deputado pensa: "Já imaginávamos que ia ter pressão, mas não imaginávamos que segmentos do Supremo seriam tão suscetíveis assim. Infelizmente, as ações do Supremo não são cercadas da austeridade exigida para uma Corte Suprema. Ministro do Supremo não é para ficar sendo aplaudido em restaurante por dar decisão contra o PT. Nos EUA, eles não podem nem tirar foto, mas aqui tem ministro do Supremo com vocação para pop star";
  • O advogado do ex-ministro José Dirceu, principal réu do Mensalão, José Luís Oliveira Lima, afirmou ter ficado satisfeito com a marcação do início do julgamento pelo STF para o dia 1º de agosto. Ele disse que José Dirceu sempre manifestou publicamente o desejo de ser julgado o mais rapidamente possível. José Luís Lima não vê problemas no cronograma apresentado pelo STF, declarando: "A designação do julgamento satisfaz o desejo dele e da defesa. Nós confiamos na Justiça. Aguardamos com serenidade a realização do julgamento". O advogado do publicitário Marcos Valério, Marcelo Leonardo, afirmou que já aguardava que o processo entrasse na pauta do Supremo em agosto. "É natural. O processo já está na fase final", destacou.
  • O dirigente petista precisa explicar melhor sua afirmação, pois com o Supremo sendo composto de 11 ministros, dos quais nada menos que oito sendo 'petistas', é muito possível que pelo menos seis deles possam julgar os 38 réus do Mensalão com parcialidade relativa, caso haja condições, de não criar problemas para o partido ao qual estão filiados aqueles que os indicaram para integrar a mais elevada Corte de Justiça do País. Caso o deputado André Vargas esteja se referindo ao ministro Gilmar Mendes, que acusou Lula de tentar chantageá-lo quando sugeriu que o julgamento do Mensalão deveria ser adiado, é bom que o dirigente do PT observe que Gilmar Mendes é um dos três que não integram o Supremo por indicação nem de Lula nem de Dilma Rousseff;
  • Diante de declarações como as dos dois advogados de destacadas figuras do processo do Mensalão do PT, fica mais uma vez comprovado que Lula ao tentar convencer ministros do STF a adiarem o julgamento estaria demonstrado uma preocupação individual, demonstrado estar com bastante medo dos reflexos que possíveis condenações de gente importante do PT e de grande participação nos governos petistas influencie no resultado das eleições deste ano, com possibilidade de também afetarem a sucessão presidencial de 2014. Mas aí é outro assunto, pois em meio a tudo isso Dilma Rousseff continua com altos índices de aprovação popular, o que lhe daria condições de se reeleger. E Lula, que também sonha com sua volta ao Palácio do Planalto, certamente poderá chegar bastante desgastado, pois foi o principal beneficiado com o Mensalão.

7 de junho de 2012

Voto secreto pode salvar Demóstenes. Voto Aberto ainda demora

  • A adoção do voto aberto nas votações no Congresso Nacional, em especial no Senado Federal, voltou à tona a partir do andamento do processo de cassação contra o senador Demóstenes Torres, sendo criada a Frente Parlamentar em Defesa do Voto Aberto, que também pressiona o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), a concluir a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 349/2001, que acaba com o voto secreto em todas as votações nas Casas Legislativas do País. A PEC 349 já foi aprovada em primeiro turno em setembro de 2006, em pleno escândalo do Mensalão do PT e sua tramitação está mais adiantada do que a da PEC que está na pauta do Senado para ser votada na próxima quarta-feira, após a pressão de um grupo de senadores sobre o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP);
  • Como se sabe, uma PEC precisa ser votada em dois turnos nos plenários da Câmara e no Senado, e para ser aprovada são necessários os votos de pelo menos 308 deputados e 49 senadores. O deputado Marco Maia está relutando, alegando que é melhor refazer o texto para preservar o voto secreto para algumas situações, como apreciação de veto presidencial e eleição para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado. A Frente Parlamentar em Defesa do Voto Aberto levará o assunto para a reunião de líderes partidários, na terça-feira. As opiniões variam nas duas Casas. No Senado, os próprios senadores que pressionaram o presidente José Sarney a colocar a PEC do Voto Aberto em pauta defendem a restrição do texto apenas à cassação de mandato parlamentar. Uns são a favor do voto secreto em duas circunstâncias: derrubada de veto presidencial e indicação de ministros do Supremo, porque eles podem vir julgar os próprios parlamentares;
  • O senador Pedro Taques (PDT-MT), do mesmo grupo, também defende que o voto permaneça secreto para análise de vetos presidenciais. Já o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) defende o voto fechado para os vetos e escolha dos presidentes da Câmara e do Senado. O  senador José Pimentel (PT-CE), líder do Governo no Congresso, não concorda com os colegas, e quer ampliar a possibilidade de votos abertos, afirmando: "Quem nos elegeu tem o direito de fiscalizar nosso voto. O voto secreto tem que ser uma prerrogativa só do eleitor, e não de seu representante";
  • O Voto Aberto é mesmo muito difícil de ser adotado. Em primeiro lugar, porque a maioria dos parlamentares teme ficar expostos ao eleitorado, porque a anonimato serve para que eles se 'escondam' atrás do voto secreto principalmente nos casos de corporativismo explícito. De outro modo, tanto a PC do Senado como a PEC 349 terão que tramitar na outra Casa e serem votas em dois turnos. Basta que haja qualquer alteração de texto para que ambas fiquem tramitando por longo tempo – a PEC 349 é de 2002, foi votada pela Câmara em 2006 e até hoje não entrou em pauta. Sendo assim, dificilmente haverá voto aberto quando o plenário do Senado for se pronunciar sobre o mandato de Demóstenes Torres, nada impedindo que ele, apesar de todas as evidências, venha a ser absolvido e possa continuar exercendo tranquilamente seu mandato até o final;
  • De qualquer modo, o povo tem que continuar pressionando deputados e senadores para que votem a o quanto antes a adoção do Voto Aberto, acabando de uma por todas com essa verdadeira aberração que é o representante não dar conhecimento de suas ações ao representado. É como se alguém desse uma procuração a outra pessoa e essa agisse em seu nome, mas sem dar ela qualquer satisfação sobre o que tenha praticado como seu representante legal. Vamos continuar gritando: VOTO ABERTO JÁ!!!
Há exatamente quatro anos (6 de junho de 2008), este Blog foi lançado. A primeira postagem foi sobre a Varig (Leia aqui)

5 de junho de 2012

O povo começa a contestar o voto secreto em casos de cassação

  • O fim do voto secreto principalmente na votação de cassaçãio de mandatos de parlamentares passou a ser assunto do momento. Além do pronunciamento do senador Pedro Simon (PMDB-RS), outros integrantes do Senado também estão reivindicando a adoção do voto aberto pelo menos no caso de Demóstenes Torres por causa de suas evidentes ligações com o 'contraventor da contravenção' Carlinhos Cachoeira. O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) fez consulta ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade dos que votarem pela cassação divulgarem seus votos sem que haja risco de anulação da votação de cada um, pois há quem faça analogia com o voto secreto nas eleições em geral;
  • O senador Pedro Taques (PDT-MT) está convocando seus colegas para pressionar o presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP) paraa colocar em pauta o quanto antes a PEC do Voto Aberto, dizendo: "Nesta Casa, quando há vontade política, aprovamos medidas provisórias de afogadilho. Aí, há vontade política para aprovar as MPs mais descabidas, votamos como um corisco. Já neste caso, ficamos com rapapés e salamaleques. Devemos assumir nossa responsabilidade e. no mais, é conversa fiada, é não querer votar, é enrolar". O senador finalizou enfatizando: "Senador que não aguenta pressão é melhor ficar em casa";
  • No meio da opinião pública também há revolta em relação à votação secreta que poderá, por exemplo, absolver Demóstenes Torres, mesmo que o Conselho de Ética do Senado recomente a cassação de seu mandato por unanimidade. Na seção de carta dos leitores na edição de hoje de 'O Globo', por exemplo, Ana Maria Calixto, do Rio de Janeiro, escreveu: "O instituto do voto secreto, de uso generalizado pelos nossos políticos (senadores, deputados etc.), é algo anacrônico e já deveria ter sido banido da política há muito tempo. Os políticos são, na realidade, empregados do povo, que os coloca nas respectivas câmaras e, acima de tudo, paga os seus salários. Assim sendo, nada mais justo que o povo saiba como os seus representantes estáa utilizando os mandatos que lhes foram confiados";
  • Tem até leitor que escreve fazendo uma 'ameaça' bastante séria, como é o caso de Odilon Barros, também do Rio de Janeiro, que foi bem claro: "Dizem que Demóstenes e demais parlamentares envolvidos com o contraventor Cachoeira se safarão por conta do vergonhoso artifício do voto secreto, que ainda vigora no Congresso Nacional. Quero lembrar que temos também nossas armas. Quais sejam: campanha maciça pelo voto aberto para deputados e senadores na votação que decidirá o futuro desse e de outros envolvidos. E que declarem o voto em alto e bom som. Os parlamentares que não declararem seus votos e votarem secretamente estarão ao lado da impunidade. Que pelo menos possamos saber para cassá-los na próxima eleição. Simples assim!";
  • Vemos, portanto, que muita gente já está entendendo que é chegada a hora do povo se mobilizar para dar um basta no corporativismo que existe nas Casas Legislativas, onde muitos praticantes de 'malfeitos' estão sempre sendo absolvidos e mantendo seus mandato - e, por consequência, também as mordomias -, mesmo depois de comprovados até assaltos aos cofres públicos. As absolvições funcionam como arma de defesa, pois uma boa parte dos parlamentares sabe que um dia, por casa de suas atitudes, poderão estar sendo também indicados para cassação de seus mandatos, mas que confiarão na reciprocidade dos colegas em face do modo como votaram antes, secretamente;
  • O Voto Aberto em casos de perda de mandato parlamentar entra na pauta do Senado na próxima semana. Isto é o que está hoje no site de 'O Globo' e também no Blog do senador Álvaro Dias. Isso é prova de que a pressão popular está se refletindo entre os parlamentares, muitos deles candidatos a prefeito nas eleições de 7 de outubro. Vamos esperar. E pressionar também.

4 de junho de 2012

Pedro Simon quer voto aberto no caso de Demóstenes Torres

  • O fim do voto secreto em sessões que decidem pedidos de cassação de parlamentares foi defendido  pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 50/2006, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) está em condições de ir ao plenário e entrar em vigor antes da votação da cassação do senador Demóstenes Torres. Pedro Simon afirmou: "Depende do presidente do Senado, José Sarney, colocar a proposta em votação, o que pode ser feito a qualquer momento". Ele lembrou que ao mesmo tempo em que declarava seu apoio à iniciativa do senador Pedro Taques (PDT-MT) de formalizar um pedido nesse sentido à presidência do Senado.  Além dos pedidos de cassação de parlamentares, a proposta, que altera os artigos 52, 55 e 66, elimina o voto secreto também para a escolha de magistrados, do Procurador-Geral da República e embaixadores. A notícia foi divulgada hoje no site do Jornal do Brasil.
  • Somente por forte pressão da sociedade é que o Senado Federal e a Câmara dos Deputados vai votar alguma proposta que estabeleça o fim do voto secreto em suas decisões. É com ele que têm chance de praticar o corporativismo quando algum de seus companheiros esteja com o mandato correndo risco. Como os conselhos de ética das duas casas votam seus relatórios finais abertamente, de vez em quando opinam pela cassação de algum parlamentar que tenha quebrado o decoro. No entanto, quando a recomendação chega ao plenário, quase sempre o deputado ou senador 'indecoroso' é absolvido, pois muitos pensam que em algum dia seus nomes poderão estar sendo recomendados para um final antecipado de mandato;
  • Em que pesem todas as evidências e gravações que comprovam o envolvimento do senador Demóstenes Torres com o 'empresário da contravenção' Carlinhos Cachoeira, temos lido a toda hora que o senador goiano confia na sua absolvição quando, por causa do voto aberto, o Conselho de Ética do Senado recomendar a cassação de seu mandato. Pesquisas feitas entre os senadores já constataram que Demóstenes precisa apenas de cerca de 10 votos para conseguir os 41 necessários à sua absolvição, ou seja, metade mais um dos 81 senadores que compôem aquela Casa;
  • Numa prova de que dificilmente essa votação aberta será aprovada, é só observar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 349/2001 já foi aprovada em primeira votação em maio de 2006, mas até hoje não foi colocada em pauta para a segunda votação exigida para os casos de emenda à Constituição. Depois disso, a PEC ainda teria que tramitar no Senado, também com duas votações, e com o fato de que caso venha a sofrer alguma alteração em seu texto, a propostas teria que voltar para nova tramitação na Câmara, onde se originou. A PEC 349 estabelece o voto aberto no Senado, na Câmara, nas assembleias legislativas, na Assembleia Distrital de Brasília e nas câmaras municipais. Aí é querer demais, pois os ilustres legisladores dificilmente vão abrir mão de tão preciosa arma que garante a sobrevivência política de muita gente.

3 de junho de 2012

Julgamento do Mensalão e Fernando Haddad tonteiam Lula e o PT

Os alvos do PT e de Lula estão definidos
  • A existência de um documento preparado por dirigentes petistas destinada a servir de guia para as ações dos seus integrantes na CPMI do Cachoeira foi publicada na revista 'Veja' desta semana. Trata-se de uma lista de pessoas a serem atacadas durante os trabalhos da comissão. Entre os alvos estão Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e Roberto Gurgel, procurador-geral da República. Além desses dois, outros alvos do guia de ação são os parlamentares da oposição, a imprensa, além de membros do Poder Judiciário que, de alguma forma, contribuíram ou ainda podem contribuir para que o Mensalão do PT seja julgado. a matéria da 'Veja' destaca que o documento focaliza de modo especial o ministro Gilmar Mendes, por haver revelado que o ex-presidente Lula teria  tentado chantageá-lo para adiar o julgamento do Mensalão;
  • Esse tipo de ação demonstra que o PT está apreensivo com o julgamento dos 38 indiciados pela existência do Mensalão, denunciada em 2005 pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB). Conforme o resultado que chegue o STF, os respingos nos quadros petistas poderia trazer resultados que afetariam as candidaturas do partido em 2014, talvez mesmo a partir das eleições municipais deste ano, principalmente para a Prefeitura de São Paulo, onde Fernando Haddad, imposto por Lula ao PT, em detrimento da senadora Marta Suplicy, que já havia lançado seu nome como candiata do partido. Sem o fantasmo do julgamento do Mensalão do PT, Lula entrou de cabeça na campnha de Haddad, que vem patinando em 3% nas pesquisas de intenção de voto, enquanto que José Serra, candidato tucano, não sai da faixa de 30%, índice dez vezes maior do que a percentual do candidato de Lula, faltando menos de quatro meses para as eleições;
  • Isso tudo está fazendo Lula ssair do sério, tomando atitudes erradas e fazendo declarações até certo ponto agressivas numa tentativa de Mudar o quadro na disputa pela prefeitura paulistana. A tentativa de convencer um ministro do Supremo e trabalhar pelo adiamento do julgamento do Mensalão do PT e a chantagem feita a Gilmar Mendes são provas do destempero de Lula. Numa entrevista da TV chegou a demonstrar arrogância ao afirmar que não vai deixar um tucano voltar à Presidência da República, e, no caso de São Paulo, chegou a afirmar que o candidato dio PSDB, José Serra, estaria ultrapassado paraa assumir a prefeitura da capital paulista. Tudo isso demonstra que Lula parece estar prevendo uma longa batalha para vencer nas próximas duas eleições.

2 de junho de 2012

PT deixa ética de lado e recebe de empresas doações de 50 milhões

A ilustração de SponHolz mostra a 'generosidade' dos doadores
  • O secretário de Planejamento e Finanças do PT, João Vaccari Neto, tem uma visão sobre ética e jogo de interesses muito pessoal. Para ele, o fato de seu partido ter pedido e conseguido em 2011 cerca de R$ 50 milhões em doações de empresas que têm negócios com o Governo da presidente Dilma Rousseff não é nada demais. Como assim? Caso Vaccari não esteja sendo bastante debochado e cínico, ele não tem nenhuma noção do que seja uma prática não republicana, expressão tantas vezes empregada pelos petistas para condenar adversários que na opinião deles por acaso tenham cometido algum tipo de 'malfeito'. Ora, essas empresas certamente já fizeram doações durante a campanha eleitoral - muitas delas são bastante 'generosas' com todos os candidatos que tenham alguma possibilidade de chegar ao Poder -, sempre de olho em futuros contratos, como é comum acontecer;
  • Convém ressaltar que João Vaccari Neto é aquele cidadão que presidiu a Bancoop entre 2004 e 2010, uma cooperativa que virou um pesadelo para milhares de associados - até Lula foi ludibriado -, porque em vez de aplicar o dinheiro para erguer apartamentos desviava recursos para contas bancárias de seus diretores e para alimentar o Caixa 2 de campanhas do PT, entre elas a de Lula à Presidência. Vaccari também é suspeito de cobrar propina para financiar o Mensalão no tempo em que exerceu a função de administrador informal da relação entre o PT e os fundos de pensão das empresas estatais, bancos e corretoras. Em  2010, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público (MP) contra Vaccari e outras cinco pessoas por desvio de recursos da Bancoop. Ele é réu por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Daí ele achar que o PT receber doações de empresas com interesses junto ao Governo não seja nada demais. Mutreta é com ele mesmo;
  • Já que os partidos de oposição são um tanto lerdos, talvez desestimulados pelo autêntico 'rolo compressor' da 'base aliada', seria a vez do Ministério Público Federal (MPF) investigar essas doações, pois a maioria das empresas doadores tem contrato para realização de obras do famoso e 'empacado' Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e outras obras milionárias. O MPF precisa questionar se essas empresas tiveram as obras licitadas, se houve algum reajuste de valores após o início das obras. É que se essas coisas forem confirmadas fica comprovado que tais 'doações' foram oriundas de dinheiro público, deixando de ser destinados em benefício dos contribuintes, principalmente nas áreas de Saúde, Educação, Transporte e Segurança. O País precisa saber claramente como ocorreu toda essa 'generosidade'.